
Habituada a grandes desafios, Bárbara Branco é uma dos 13 jovens atores que brilha no espectáculo “Quis Saber Quem Sou – Um Concerto Teatral”, que revisita canções da revolução, palavras de ordem, cantigas que são armas e também as histórias pessoais das gerações que fizeram o 25 de Abril. A estreia acontece sábado, 20 de abril, no São Luiz, em Lisboa, e depois vai partir em digressão. Antes, a TvMais conversou, em exclusivo, com Bárbara Branco, que assume: “Hoje sou mais livre”.
Como é que surgiu este desafio?
Há cerca de um ano, o Pedro [Penim, encenador] fez-me o convite. E de forma muito inesperada, porque não o conhecia pessoalmente, nunca tínhamos trabalhado juntos. Aceitei imediatamente porque me identifico muito com o percurso dele e trabalhar com o Teatro Nacional é sempre um privilégio.
Nesta peça, para além de representar, também canta. É fácil para si?
Já fiz musicais no início da minha carreira. A minha base é representação e, portanto, apesar de ter tido algumas aulas de canto e de ser uma vertente de que gosto muito de trabalhar, não é a minha ferramenta principal. Gosto muito de cantar, mas é um complemento à representação.
Como foi o seu trabalho de pesquisa?
Não vivi nem a revolução nem os tempos antes. Já nasci em liberdade, felizmente, mas claro que há um trabalho de pesquisa. Apesar de este espectáculo não ser sobre termos vivido o 25 de Abril, antes pelo contrário. Para mim, é sobre procurarmos a nossa identidade através de quem viveu a revolução, antes e durante. Para eu me conhecer preciso de saber a perspetiva dessas pessoas, da geração, por exemplo, do Manuel Coelho [o veterano ator que participa na peça].
Deixou-a mais atenta a estas questões sobre a liberdade?
Acima de tudo, mais assustada! Por ter já nascido em liberdade e tendo em conta os últimos tempos, as últimas semanas, deixa-me muito assustada. Esta peça também é pertinente principalmente por causa disso, porque acaba por ser um aviso à minha geração para não relaxarmos, para não tomarmos certas liberdades como garantidas, porque a qualquer momento podem ser retiradas. Esse aviso é o que mexe mais comigo com esta peça. E, obviamente, o medo de a qualquer momento isto poder andar para trás…
Já se passaram sete anos desde a sua primeira peça. Que Bárbara é hoje?
Já fiz algumas coisas, de facto. Pela primeira vez, estou a trabalhar com um elenco muito jovem, que é uma coisa que normalmente não acontece. Aqui sou das mais velhas – imagine-se! – e tenho 24 anos! Não sei, certamente que sou uma Bárbara mais consciente. Apesar de já ter uma consciência política, esta peça ainda me traz mais essa inquietação. Hoje sou, certamente, uma Bárbara mais livre e, principalmente, muito feliz por poder estar a trabalhar com uma malta tão talentosa. Somos um grupo muito unido, e se isto é o futuro do teatro em Portugal, então julgo que esta arte está em boas mãos.
Em entrevista exclusiva Bárbara Branco assume: “Hoje sou mais livre”
“Quis saber quem sou” foi a primeira frase de pendor revolucionário do início da democracia em Portugal, ouvida ainda a 24 de abril de 1974, às 22.55 h, na rádio. O primeiro verso da canção “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, marca o momento histórico do arranque da revolução, tornando uma melodia de amor num símbolo da liberdade. Concebido, escrito e encenado pelo diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Pedro Penim, “Quis Saber Quem Sou — Um Concerto Teatral” junta 13 jovens atores em palco, entre os quais se destaca Bárbara Branco, ao veterano Manuel Coelho, um dos nomes maiores dos palcos nacionais.