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“Se um só homem é capaz de gerar tanto ódio, imaginem o amor que seremos capazes de gerar todos juntos”, disse este domingo um sobrevivente de Utoya à CNN. Um mês passado sobre o pior ataque ocorrido em tempo de paz, a Noruega homenageou as 77 vítimas de Anders Breivik. Um oceano de rosas inundou de novo a porta da catedral de Oslo e o bispo declarou “somos um povo em luto”. Cerca de sete mil pessoas entre familiares de vítimas, polícias e elementos das diversas equipas de emergência estiveram na cerimónia (Domingo, 21), que incluiu representantes oficiais de todos os países nórdicos. Na homenagem houve diversos discursos, actuações musicais, leitura de textos e muitos artistas foram ali proferir os nomes das 77 vítimas. Mensagens de unidade e solidariedade foram proferidas por todos os líderes religiosos da Noruega, incluindo a organização de ateístas e agnósticos. No discurso de homenagem às vítimas, o rei Harald comoveu-se até não conseguir conter as lágrimas. Depois de uma pausa, exprimiu ainda que «Como pai, avô e marido, posso apenas imaginar a tristeza que sentem os familiares das vítimas», disse o rei. O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, encerrou a cerimónia com um discurso emotivo, apelando à unidade de todos.
Tinha uma bomba maior
Anders Behring Breivik, o autor confesso dos ataques de 22 de Julho na ilha de Utoya, Noruega, tinha uma outra bomba, ainda maior que aquela que fez explodir a sede do governo norueguês. O engenho (que tem 1,5 tonelada) foi descoberto na quinta de Breivik, 140 quilómetros a Norte de Oslo. Só entre Maio e Julho últimos, Breivik adquiriu seis toneladas de químicos para construir as suas bombas. Sem precisar a quantidade ou o seu estado, a polícia disse ter destruído diversos explosivos armazenados na quinta. A bomba que explodiu junto às instalações do governo norueguês tinha 950 quilos e vitimou oito pessoas.
Mais asneiras operacionais
Uma hora e um minuto depois da polícia ter recebido o primeiro alerta, ou seja, 80 minutos depois de Anders Breivik ter começado a abater pessoas, a equipa de operações especiais chegava (finalmente) junto à área do tiroteio. “Polícia! Estamos armados!”, gritaram, conforme contou Haavard Gaasbakk, o comandante operacional daquela força. Anders Breivik saiu da mata de mãos no ar. A sua arma foi encontrada 15 metros atrás. Eram 18h27m (hora local). O tempo que a polícia demorou a chegar ali provocou severas críticas nos sobreviventes. Quando o tiroteio começou em Utoya, a polícia continuava concentrada no edifício do governo, em Oslo, onde às 15h30 (hora local) ocorrera a explosão do carro-bomba. Durante uma hora, Breivik disparou em Utoya contra quem quis, escolhendo as suas vítimas no universo de 600 pessoas que ali estavam num acampamento de verão. O primeiro helicóptero a sobrevoar a ilha foi o da televisão. O da polícia tardou em chegar e o barco da polícia avariou por excesso de peso. A equipa de operações especiais embarcou depois em duas embarcações civis. Haavard Gaasbakk entrou na ilha à frente de nove homens e prendeu o matador. O comandante diz-se orgulhoso do trabalho dos seus homens. “Foram muito sólidos e demonstraram uma grande coragem”, disse Haavard Gaasbak à imprensa. O que só prova que não há maus militares, há é maus generais.
Reconstituição
Rodeado de fortes medidas de segurança (até helicópteros da polícia sobrevoaram a ilha) Breivik chegou regressou a Utoya acorrentado e preso com uma corda à volta da cintura. As autoridades judiciais fizeram a reconstituição do massacre onde o norueguês liquidou 69 pessoas a tiro. Frieza e indiferença, foram as reacções que Breivik revelou durante a reconstituição. Segundo o seu advogado, Geir Lippestad (ver caixa), ele cooperou bastante e lembrou-se de cada tiro que disparou. O próprio advogado reconhece ter dificuldades em compreender o seu cliente e explica que este não demonstra qualquer sinal de empatia ou compaixão pelas vítimas e que detesta os que acreditam em Democracia e defendem o multiculturalismo.
Audiência fechada
As autoridades acreditam que duas outras células da rede que Breivik criou continuam activas. É por isso que as audiências em tribunal (a primeira durou 35 minutos) decorrerão à porta fechada. O objectivo, segundo a polícia, é evitar que Breivik contacte com as suas células. A “preocupação de (ele poder) revelar muita informação” sobre o caso foi outro dos motivos para que as audiências decorram à porta fechada.
Terrorista
O juiz Kim Heger acusa-o de actos de terrorismo. Breivik já disse esperar passar o resto da vida na prisão. Declara-se inocente das acusações de terrorismo, alegando ter agido para salvar a Europa daquilo que designa por colonização muçulmana. Diz que está em guerra e “acredita que a guerra dele continuará por 60 anos, e em 60 anos será vencida”, explicou o seu advogado. O norueguês declarou que o seu principal objectivo foi prejudicar o Partido Trabalhista, que acusou de encorajar a imigração. Breivik declarou no último Sábado que tinha outros alvos em mente como o Palácio Real e a sede do Partido Trabalhista (no governo).
Um advogado de esquerda
Geir Lippestad, 47 anos, é casado, tem sete filhos e formou-se em Direito na Universidade de Oslo, em 1990. É militante do Partido Trabalhista Norueguês e já foi deputado pela região de Nordstrand. Ficou conhecido por defender Ole Nicolai Kvisler, um radical de direita, condenado a 17 anos de cadeia em 2002, pelo assassinato de Benjamin Hermansen, um jovem de 15 anos, filho de pai africano.
Massacre
A 22 de Julho último, oito pessoas morreram na explosão de um carro armadilhado junto ao edifício do Governo norueguês em Oslo. Sessenta e nove pessoas foram depois mortas a tiro na ilha de Utoya, na maioria jovens que participavam numa iniciativa da juventude trabalhista. Todos abatidos por Anders Behring Breivik
Nota: Por vontade do autor, este texto não segue as regras do novo acordo ortográfico