O conhecido especialista em cirurgia plástica revela como fez do bisturi a sua paixão e da profissão uma missão que tem como objetivo melhorar a autoestima, a confiança e a vida de quem o procura. Ângelo Rebelo, de 67 anos, começou o seu percurso num internato da especialidade de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética. Exerce, desde há alguns anos, a sua atividade profissional exclusivamente no setor privado, estando em funções na Clínica Milénio, onde é diretor, opera e faz consultas. O médico assinala 40 anos de carreira com os olhos postos no futuro e o desejo de concretizar vários projetos.

Ser médico era um sonho de criança?
Desde menino que queria ser médico. Muitas crianças revelam o desejo de ser médicas, o que existe de diferente é que eu não tinha na minha família ou nas pessoas que me rodeavam ninguém ligado à saúde. Isto saiu mesmo cá de dentro.
O que o levou a esta especialidade?
A cirurgia plástica surge no decorrer do curso de Medicina. Senti que me identificava com essa especialidade. Para mim, era um fascínio ver uma pessoa que estava desfigurada e ter de reconstruir e dar-lhe uma aparência o mais normal possível.
Como alcançou este patamar?
Implicou estar sempre atento, atualizado e em constante formação. Frequentei congressos e cursos. Apresentavam-me 50 próteses e escolhia a que considerava melhor para os meus doentes. Técnicas cirúrgicas, procedimentos, tudo!
É um dos cirurgiões plásticos mais requisitado por celebridades. Como se conquista este reconhecimento?
Estou convicto de que se alcança trabalhando. Tive sempre a preocupação de não me deixar deslumbrar com aquilo que vinha a fazer. Ser humilde. A humildade é importante quando se segue uma determinada carreira, sobretudo quando tratamos diretamente com pessoas. Quando as pessoas pensam que o Ângelo Rebelo nada em dinheiro, é riquíssimo, tem a clínica… estão muito longe da realidade, porque o meu trabalho foi todo para a clínica.
Mudava alguma coisa?
Não, não estou arrependido de nada. Sinto-me bem com tudo o que fiz. Para as pessoas perceberem, desliguei-me da parte comercial. Se me perguntar quanto custa uma consulta minha ou uma cirurgia, não faço a mínima ideia!
E trabalhar fora de Portugal?
Não, nunca! Sabia que se tivesse exercido em alguns países tinha um futuro completamente diferente. Eu não tive oportunidades no nosso país, eu conquistei-as, é diferente. Aqui temos as portas fechadas. Temos de as arrombar ou partir para conseguir fazer alguma coisa.
Que tipo de cirurgia prefere fazer?
A minha preferida é sempre a cirurgia de mama. Tenho algumas técnicas que desenvolvi, mas gosto de fazer todo o tipo de cirurgia de mama.
Qual foi o pedido de um paciente que mais o surpreendeu?
Apareceram-me duas ou três pessoas que queriam muito uma coisa que foi estereotipada há uns anos: ficar como o Ken e a Barbie. Depois temos o nosso amigo José Castelo Branco que aparecia sempre com novidades: um vez quis tirar costelas, ele quer sempre 50 mil coisas (risos).
Diz muitas vezes “não” aos pacientes?
Sim, muitas vezes há um não direto! Se uma coisa não tem uma indicação cirúrgica para ser feita, a maior probabilidade é o resultado ser mau. Uma pessoa que não precisa de uma cirurgia e se vai meter nisso… não faz sentido.
As mentalidades mudaram em relação às intervenções estéticas e plásticas?
Mudaram, mas não muito. Continuamos a ter pessoas que se escondem da família, dos maridos, dos namorados. O tabu continua a existir, há muito misticismo e preconceito à volta da cirurgia estética.
Quais são as maiores adversidades desta área?
Quando falamos em cirurgia estética, não nos podemos desligar da parte financeira. Para todas as pessoas, um cirurgião plástico é rico, milionário. Logo aí existe uma corrente de inveja, a começar pelos próprios colegas, que vão roendo a corda.
De que forma a Covid-19 veio alterar os hábitos, nomeadamente na área em que trabalha?
Sinto que a pandemia é mais económica do que sanitária. Faço 40 anos de carreira como médico e nunca vi nada igual a isto. Quando se põe um médico a dizer que vai entrar de quarentena e não vai tratar doentes, isso faz-me muita confusão, muita impressão.
O que gostaria que o futuro lhe reservasse?
Gostava de ter mais tempo! Gostava de ter alguma paz de espírito, que é isso que esta pandemia não nos proporciona. Vivemos no medo, estamos a incuti-lo às pessoas todos os dias com as informações. Tenho muitos projetos na manga. Uma nova clínica que está parada… Ando numa luta tremenda para ver se conseguimos arranjar soluções e saídas para terminar a obra.
Se não fosse cirurgião plástico, que profissão teria escolhido?
Teria sido músico! Não há uma música que seja igual a outra, a não ser que exista um plágio. A minha profissão é um bocado isso: apesar de fazer mamas todos os dias, não há duas mamas iguais.
Mudava alguma coisa no seu percurso profissional?
Mudava o País! Existem muitas pessoas como eu: para terem o seu valor reconhecido tiveram de sair de Portugal. Não se deixa as pessoas crescerem, construírem, desenvolverem. Gosto muito do meu país, tanto que não saí de cá, mas o meu país, não o meu país político.
Como gostava de ser recordado?
Gostava que dissessem a verdade, que fui um homem honesto, trabalhador, criativo, excelente profissional e ultradedicado à minha profissão. São características que, na minha opinião, se devem ter para se ser cirurgião.

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