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O papel é pequeno, mas a vontade de fazer uma personagem forte, marcante, e que já foi interpretada por uma colega que tanto admira fizeram Juliana Paes aceitar com orgulho o convite inesperado para ser a intensa Maria Marruá em “Pantanal”, da SIC.
Como foi receber o convite para interpretar Maria Marruá?
Estávamos ainda vivendo os efeitos de pandemia, em casa, e recebi uma mensagem do Rogério [Gomes, realizador]. “Ju, queria falar com você sobre Pantanal.” Não fazia ideia o que era… Liguei e ele disse: “Queria muito que você fizesse a Maria Marruá”. Acho que não o deixei falar por mais dez segundos. É uma personagem maravilhosa, sabia que tinha sido feita pela Cássia [Kis]. “Óbvio que vou aceitar esse desafio”, falei, porque quando é uma personagem que já foi vivida por alguém, e por uma atriz de quem você é tão fã, torna-se um desafio a dobrar. Senti-me muito lisonjeada, desafiada e com muita vontade de fazer essa Maria Marruá.
Lembra-se da novela original? O que é diferente na nova versão?
Em 1990 eu tinha 11 anos, então, tenho as minhas memórias de criança, de perceber que, naquele momento, todo mundo parava para assistir a novela. Acho que movidos não só pela trama mas pelo torpor que causava aquela linguagem diferente. Era um momento de contemplação, de parar um pouco, suspender a fala e aguçar mais o olhar e o sentimento. Creio que esse tenha sido o grande diferencial de “Pantanal”: a sensação que provocava nas pessoas. [Hoje] Por um lado, se a gente tem o desafio, num momento em que existe tanta quantidade de informação, de aquietar um pouco a nossa mente para contemplar mais – esse é o desafio que temos como novela –, por outro lado, temos mais tecnologia e processos mais definidos para mostrar essas imagens.
Como foram as gravações na região do Pantanal?
Quando aterramos, temos um percurso longo pela frente. E aí, quando se chega, todas as expectativas são superadas, porque vi bichos que nunca tinha visto na minha vida, ouvi sons que não tinha escutado. Além de ter uma energia diferente, e isso é o que não dá para explicar. Tem de estar lá. Tudo isso traz para dentro de nós uma sensação diferente que as fotografias não conseguem transmitir. Acho que talvez com as imagens da novela consigamos chegar o mais perto disso. Mas ter estado no Pantanal foi muito bom, especial demais.