Não tenho especial prazer em verificar que as minha intuições negativas se concretizam. Fui, como todos, apanhado de surpresa quando percebi o que se passara em Alcochete, mas receava coisa semelhante há já algum tempo. Não sabia onde, ou com quem, mas percebia-se, no ar e com força, que uma miséria destas estava para vir, no estado desgraçado do futebol nacional, na deriva miserável a que o futebol português está a torcer o braço a toda uma sociedade. Era óbvio que uma bestialidade qualquer mostraria a sua cara, e pela simples razão de todos deixarmos a bestialidade mostrar a cara todos os dias, e largar a sua semente, à frente de todos, e em permanência, em todos os órgãos de comunicação social, mais a internet, que, por sua vez, alimenta com mais carne a comunicação social, que, por sua vez, atira mais gasolina para a internet. Terá sido mais uma intuição, escrever um livro intitulado “Jogos de Raiva”? Nele não falo especificamente deste estado de loucura a que chegou o futebol, mas de muitos outros estados onde ele se inclui, e todos estes jogos se praticam com estas mesmas regras inventadas pelos tempos modernos: uma permanente disseminação do ódio e da violência, transmitido a toda a hora, muitas vezes por indivíduos que são uma coisa no seu percurso profissional e de repente se transfiguram em pequenos monstrinhos assim que se trata de discutir o penálti ou o fora-de-jogo. Somos, pois, todos culpados, os que organizam estes espectáculos e os que o consomem com avidez, por isso deixemo-nos de surpresas: os criminosos de Alcochete não nasceram de um momento para o outro. Eles perceberam que o terreno estava preparado e fértil. Outra coisa que percebi desde que isto começou era muito simples de perceber. O Sporting não tinha condições para jogar a final da Taça. Era humanamente impossível, e a questão de treinar, ou não, era irrelevante. Com que cabeça poderiam apresentar-se aqueles jogadores em campo? No momento em que tudo acabou, há que louvar a decisão de se apresentarem em campo, a honrar o emblema e a tentarem ser, por mais um jogo, dignos dele. Só que não era um jogo qualquer. Era uma final, onde tudo se decide, onde tantas vezes os mais fracos batem o pé aos grandes, onde os historiais e orçamentos não contam para nada, apenas quem está, naquele dia, determinado. E o Aves sempre me pareceu o vencedor anuncia-
do. Porque tem uma bela equipa, bastava ter acompanhado o campeonato e as últimas épocas, e sobretudo porque terá sentido uma força maior com a total invisibilidade a que foi votado pela comunicação social, entretida a mastigar a crise do Sporting até à exaustão do mais resistente. Senti que o Aves se iria alimentar disso: gostamos sempre de atingir com força quem nos menospreza, não é?
Foi um justo vencedor, e o Sporting um justo perdedor. E mais: um perdedor necessário, para seu bem. Não é ironia. No meio das marés sucessivas de comentários e análises e reacções e mais ódios e revoltas e assim e assado, li o que me pareceu ser a frase mais sensata sobre tudo isto. Vem da minha querida amiga Rita Redshoes, que faz parte, para quem não sabe, de uma família ligada à história do clube. Escrevia ela, talvez sobre as impressionantes lágrimas de Rui Patrício, que é melhor perder tudo para se procurar o caminho de regresso. Sim, concordo. A derrota na final, esse corolário de um período negro, talvez tenha sido o melhor que aconteceu ao Sporting. Que vai ter de se reinventar das cinzas. Mais vale isso. Que o clube saiba encontrar o caminho de regresso à dignidade que merece e representa. Que as lágrimas de Patrício tenham sido a despedida da escuridão.

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