
Mais uma vez mostraste a todos que não és um qualquer. Que a tua arte está no sangue. A tua coleção de vestidos de noiva é soberba. Digam o que disserem, mas engulam e aguentem forte e feio o teu sucesso. Sabes o que me irrita, João? Que neste país, quando falamos no teu nome junto daqueles que se consideram as altas esferas da moda em Portugal, eles se permitam torcer o nariz. Coitados! Nenhum deles, ou pelo menos grande parte deles, conseguiria fazer o que tu fizeste. Muitos deles criticam o teu nome sem conhecerem o teu trabalho. Fazem-no porque “é giro” fazer e ponto. Acontece muito, porque tens um rótulo colado ao corpo e ao nome. Não que isso te preocupe, nem que manifestes desagrado. Dormes lindamente com o que possam pensar a teu respeito.
Conheço-te. Já te vi renascer das cinzas algumas vezes, sempre com coisas novas e com um mercado que te recebe. Um mercado que pode não ser o mais mediático mas é o que trabalha, negoceia, investe e percebe, e isso está patente na plateia de apresentação das tuas coleções. Não nego que aprecio o teu talento e o teu drama nas coleções. Gosto da maioria, não gosto de tudo, mas, acima de tudo, aprecio a coragem de perceber que quando é preciso bates com o pé, fechas uma porta, dás um grito e levas a tua em frente. Parabéns, João. Deixa-os falar.
Se há em Portugal alguém que ache que pertence a uma elite de moda e não reconhece, divulga o seu trabalho e o aplaude, então não é um profissional. É um ignorante.