


Alexandra Lencastre está a viver uma das fases mais polémicas e desafiantes da sua vida enquanto atriz. Tudo por interpretar Pilar, a vilã racista de “A Única Mulher”, que está a chocar a comunidade europeia e africana.
Sobre esta questão, Alexandra Lencastre reagiu e reconheceu o risco do seu papel. “É óbvio que a possibilidade de a Pilar poder passar a imagem do estereótipo do português racista foi um receio nosso desde o início, não só para a comunidade portuguesa em Angola mas para todos os telespectadores que veem a novela”, confidenciou. Contudo, a atriz esclarece que, “curiosamente, as pessoas têm achado graça e quem tem achado mais graça são… os africanos”. Nem todos, pois, segundo sabe a tvmais, Alexandra Lencastre chegou a ser ameaçada por um figurante. “As gravações em Angola da telenovela ‘A Única Mulher’ tiveram de ser interrompidas quando um figurante angolano não se conteve e disparou em direção a Alexandra Lencastre: Vais apanhar!”, revelou a jornalista Paula Moura Pinheiro nas redes sociais.
A vilã, contudo, contrapõe, relatando outro caso em que também houve um confronto com um africano. “Não foi em Angola, foi cá. Passou-se numa cena em que o Luís Miguel está hospitalizado, quando se apaixona pela Mara, e a Pilar e a Concha o conseguem finalmente localizar. É a cena do reencontro entre mãe e filho e estavam muitos figurantes africanos: são-tomenses, guineenses, cabo-verdianos, angolanos, entre outros. E, de facto, um figurante guineense disse-me: ‘Se você está a fazer isto de uma forma tão credível é porque acredita! Porque é que você está a dizer estas coisas? Você é racista, sua branca!’, mas eu entendi aquilo mais como uma brincadeira.” Após uma conversa pacífica, segundo Alexandra, o caso resolveu-se.
A verdade é que a atriz reconhece o problema. “A Pilar veio denunciar uma série de pessoas que existem e que pertencem a uma classe social informada mas que, apesar de tudo, revelam ignorância. Eles [africanos] acabam por se rir porque finalmente essas pessoas dizem o que pensam através de uma mulher que é um bocadinho tonta. O racismo em Portugal existe de uma forma muito adoçada, e a Pilar, de uma maneira ou de outra, acaba por fazer essa denúncia. Carrego, se quiser, essa cruz enquanto atriz… e com todo o prazer”, orgulha-se a diva da TVI que se mostra confiante, mas prevenida. “Não tenho receio de voltar a Angola. Gostaria de voltar, mas, provavelmente, não o irei fazer”, confidencia à tvmais.