
Se há palavra de que não tem medo é recomeçar. Com uma longa carreira e provas dadas como atriz, Noémia Costa, 55 anos, vai voltar em breve ao pequeno ecrã com a novela da SIC “Terra Brava”. Contudo, houve uma altura em que pensou não ter mais oportunidades na representação. Viu-se sem convites e sem trabalho quando terminou as séries da RTP1 “Bem-vindos a Beirais” e “O Sábio”. Não havia porta que se abrisse. Só lhe restava sair do País em busca de outras oportunidades, que nada tiveram a ver com a sua formação. “Pensei: pronto, acabou. Peguei nas malas e fui para Inglaterra, que era mais perto”, contou, emocionada. Durante dois anos, a sua vida foi de emigrante. Tirou um curso de health care assistance e passou a trabalhar com alta demência. “Estou apta para fazer todos os serviços dentro da área. Foi bastante cruel, mas preparou-me para a vida”, contou.
O convite chegou com a primavera e quando estava longe de imaginar que voltaria para a representação. Adriano Luz, diretor artístico da produtora SP Televisão, telefonou-lhe quando ela estava a terminar um turno de 15 horas. “Disse-me: Tenho boas notícias. Olha, miúda, apanha o avião e vem para casa. A personagem é muito boa. O Adriano sabia que eu estava há dois anos fora do País e, não sendo um colega com uma amizade muito próxima, foi uma pessoa que esteve sempre presente. É incrível quando a ajuda vem de quem menos se espera. A partir daí, desfiz-me em lágrimas”, recordou. Voltou para casa e não podia estar mais feliz com o papel que interpreta. D. Prazeres, a maior coscuvilheira da vila e a grande opositora do Bar Carrossel. Garantem os colegas, é a protagonista de “Terra Brava”. “Estou a recomeçar aquilo que gosto de fazer e estou muito grata.”