
Cerca de um mês após ter sido submetida a uma operação complicada para retirar vários quistos nos ovários, que lhe começaram a provocar fortes dores, e já praticamente recuperada, Sofia Alves regressa às gravações da novela da SIC “A Serra”, na qual interpreta a vilã Carlota. Sem medo de falar na menopausa forçada que aí vem e a sentir-se uma “mulher completa”, a atriz de 47 anos confessa, no entanto, que passou por um período de apreensão, devido ao medo de um possível cancro – teve de pele –, hipótese que foi afastada à medida que os resultados das biópsias chegaram. De bem consigo e com a vida, apenas sente saudades da sua casa na aldeia Lapa do Lobo, onde vive sempre que o trabalho a deixa e é profundamente feliz ao lado do marido, o encenador Celso Cleto.
Foi operada há um mês. Como correu?
Foi uma intervenção cirúrgica muito invasiva e muito pouco conservadora, mas tudo está a andar bem e espero ter alta para regressar às gravações em pleno.
Sente-se bem neste pós-operatório?
Tenho feito um conjunto de atividades, entre elas caminhar diariamente para que consiga uma recuperação tranquila. Como todos sabemos, nestes processos acabamos por perder muita carga muscular e é importante recuperá-la. Inicialmente, andava muito cansada, mas agora sinto que estou a regressar à normalidade, se posso chamar assim…
No que consistiu a operação?
Fui operada aos ovários, porque tinha vários quistos.
Tratou-se de uma questão simples ou foi mais complicada?
Fiquei apreensiva, mas estava confiante. Era preciso deixar a ciência falar e sentia-me muito bem entregue, sentia uma total confiança na dra Filipa Osório, que me operou, e na dra Paula Gonçalves, que me acompanhou desde a primeira hora. E os resultados de todos os testes que iam chegando apontavam para serem quistos benignos, por isso sempre achei que ia conseguir ultrapassar mais uma situação complicada.
E a família, tem-na mimado muito?
Sim, tenho sempre muito mimo e já nem sei viver de outra forma. Além desse, recebi mimo de todas as pessoas que me acompanharam no meu internamento. Para elas, o meu grande obrigada.
Muitas mulheres têm complicações do mesmo género. Acha importante desmistificar esta questão, assim como falar abertamente da menopausa?
Obviamente, é importante falar abertamente sobre o tema da menopausa, forçada ou não. É importante termos uma relação honesta com o nosso corpo. Sabemos o que nos espera e temos de enfrentar essas verdades. Como somos todas pessoas diferentes, para algumas será mais difícil do que para outras, mas não deixamos de ser mulheres completas.
Em que moldes será feito o regresso às gravações?
Estamos a fazer planos de previsão para gravações tranquilas, para que tudo corra bem. Todos têm sido incansáveis.
Sendo uma questão de saúde que sabia que tinha de resolver, combinou tudo de antemão com a produtora SP Televisão e a SIC?
Havia uma ideia de que o assunto teria de ser resolvido, mas as últimas três semanas antes da operação foram muitos agressivas em termos de dores e, portanto, foram tomadas medidas urgentes pela médica, antes que estivéssemos a criar um problema sério. É preciso ter muito cuidado, o cancro dos ovários é rápido e, muitas vezes, quando dá sinais, infelizmente, é tarde de mais.
Está ansiosa para voltar ao ritmo normal?
Sim, estou! Tenho saudades e quero voltar a “A Serra” e à minha personagem, Carlota. Temos uma equipa fantástica de atores, produtores e técnicos. Somos uma família e, de facto, havia pessoas que eu já não via há muitos anos. Foi muito bom voltar a trabalhar com eles.