É vestido de bombeiro, roupa da sua personagem Tó Quim de “Amor, Amor”, que Fernando Rocha surge ao pé da equipa da TvMais. Aos 46 anos, o humorista anda encantado com este novo desafio que é ser ator numa novela. O seu papel cresceu na 2a temporada desta produção, chega a gravar 22 cenas por dia, está a viver na linha de Cascais, deixando o seu Norte para trás durante um tempo, mas não perde a boa disposição, nem quando o telemóvel toca inadvertidamente durante as gravações, o que o obriga a levar uma garrafa de champanhe para todos beberem no final da rodagem. “É o castigo para quem se esquece de tirar o som do aparelho”, revela. Rocha desdobra-se em muitos trabalhos e não esquece a sua origem, a que voltaria sem medo para cuidar da família, o seu pilar seguro. É casado há 22 anos com Sónia Rocha e tem dois filhos, Diogo, 22 anos, e Catarina, 16.

Como está a ser fazer esta novela, que é um novo desafio na sua carreira?

Para mim, está a ser uma experiência incrível. Estou a adorar! Quero fazer isto a minha vida toda. Fazer novela é porreiro. Em relação à minha personagem, ele é homofóbico, machista, um gajo intelectualmente fraco, tosco, mas tem um bom coração, como existem montes de pessoas. É o Quasimodo, o famoso “Corcunda de Notre Dame”, que olhamos e o aspeto não parece ser nada agradável, mas depois vamos ver o coraçãozinho e é do melhor.

O seu papel cresceu neste  Volume 2 da novela?

Sim, o protagonismo da personagem aumentou. Dantes gravava duas vezes por semana, no máximo três. Neste momento, estou a gravar quase todos os dias, há semanas que tenho completas. Já cheguei a fazer 22 cenas num dia. Não percebo muito disto, porque é a primeira novela que estou a fazer, no entanto, reconheço que esta personagem conquistou e cresceu.

Vai fazer a vida negra ao novo comandante?

Ao novo ou a qualquer outro que chegue. Por acaso, o Adam [Tiago Aldeia] não tem grandes conflitos com o Tó Quim, que acha que ele é um “camone” vindo da América sem perceber nada do que é Penafiel. Fica cabisbaixo quando recebe ordens, mas o grande conflito é com o Evaristo [Diogo Valsassina]. Chegam a andar à porrada.

Um homem do Norte a gravar 22 cenas por dia em Lisboa como é que se organiza?

Aluguei uma casinha por cá. Para já, estou a gostar muito de sair do estúdio e, pela primeira vez, não ter de fazer três horas de caminho. Faço dez minutos de carro, estou em casa e sabe-me bem. Durante oito meses, vinha, gravava e ficava esses dias num hotel. Num dia de confinamento, em que nada estava aberto, mandei vir um arroz de polvo. Ficou um cheiro tão intenso que até hoje não consigo comer polvo. Decidi que não queria ficar mais em hotéis e disse à minha mulher: “Tenho de alugar uma casinha, porque isto não é vida”. E assim fiz! Agora, venho do Porto leve. Estou perto do mar, estou mesmo bem!

Ter aceite fazer a novela foi um bom investimento?

Foi um desafio para mim. Com esta minha participação tive várias vantagens. Primeiro, e é a que menos me interessa, para as pessoas que achavam que tinha limitações e só sabia contar piadas ou anedotas, se calhar agora dizem “o rapaz até se safa”. Não sou só o Rocha das piadas. Depois, e o que é realmente importante, estou a aumentar o leque de possibilidades para poder sobreviver.

A pandemia também obrigou a isso, não?

Claro! Neste momento, tenho uma empresa de eventos na qual produzimos não só espetáculos como eventos, não estou apenas pendente dos espetáculos de comédia. Tenho também o meu canal de YouTube, que dá dinheiro, sou ator numa telenovela, sou apresentador e sou eletricista. Se isto tudo acabar, volto a ser eletricista. Ainda tenho a minha mala de ferramentas. Pego nela e chego a uma obra qualquer. Tenho de alimentar os meus filhos. Não tenho medo de trabalhar. Com este leque todo, só me reformo se quiser, senão vou morrer a trabalhar e eu quero morrer a fazê-lo. Quero ser velho, subir ao palco e fazer rir pessoas, porque sou feliz com o que faço. Até quando era eletricista era feliz!

Mas o que quer atingir profissionalmente?

Quero esforçar-me sempre para fazer melhor. Não quero ser melhor do que ninguém, quero, no entanto, dar o melhor de mim. Se ao dar o melhor de mim acabo por ser melhor do que alguém, é uma consequência, não um objetivo. Não sou competitivo. Dou o máximo, às vezes não é suficiente para os patrões, mas vivo com a consciência tranquila.

O que lhe diz, agora, o público?

Tenho dois públicos. O mais velho, que conhece o Rocha das anedotas, das brejeirices e da stand up, e, depois, tenho outro que não sabe quem é o Fernando Rocha e chama-me Tó Quim. São os putos de 5, 6 anos que veem a novela.

Gosta desta interação com o público?

Adoro! Há pessoas que me dizem que a qualquer lado que vá estou sempre a ser abordado, mas não me importa nada. Se antes de começar o meu objetivo era que o meu trabalho fosse conhecido ao máximo, quando chego a esta gente só tenho de agradecer. No dia em que passarem por mim e não me reconhecerem é que vou ficar triste e preocupado. Quando dizem “tu não eras” e vem no passado, estás f*****, acabou!

Em casa, há queixas por causa da ausência?

Há, sim. A grande base familiar que tenho é o principal fator da minha felicidade. Tenho uma mulher fantástica. Foi a lotaria que me saiu. É tudo para mim: uma excelente mãe, uma excelente esposa, mas, acima de tudo, a minha melhor amiga. Tem sido um grande pilar. Temos os dois filhos no Norte, ele está na faculdade a estudar Marketing e ela tem 16 e quer seguir artes. Perguntei se queriam vir para Lisboa, mas não gostaram da ideia, têm os namoraditos, os amigos lá, e quem se sacrifica, claro, são os velhotes. Estou a trabalhar aqui, a minha mulher orienta tudo por casa e lá para quarta-feira apanha o comboio e vem ter comigo. No fim do “Domingão”, vamos os dois para o norte. Mato saudades e venho no dia seguinte ou no mesmo dia, se tiver gravações na segunda…

O comediante é casado há 22 anos com Sónia, com quem tem dois filhos

Tó Quim foi a primeira personagem que Fernando Rocha desempenhou numa novela e conquistou-o. Está entusiasmado com a experiência e garante que é para continuar se o convidarem mais vezes. À representação e apresentação, junta uma empresa de eventos, um canal de YouTube e os seus espetáculos.

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