O artista algarvio, de 40 anos e com raízes cabo-verdianas, falou abertamente das dificuldades e da miséria durante a infância, passada no Bairro dos Pescadores, em Quarteira, no Algarve, no programa da SIC “Alta Definição”. Dino D’Santiago sobre a infância:
“Tínhamos os iogurtes contados. O fiambre, se houvesse, também. Era tudo tão contado que me lembro dos roncos da barriga. E, às vezes, sentia vergonha, se estivesse na escola. As nossas roupas tinham as marcas do chichi ou das fezes dos ratos; as baratas cresciam no meio das nossas roupas, havia várias osgas… E aí tu começas a sentir que não é justo um ser humano crescer nessas condições e questionas: Isto é Portugal?” O que me dava mais vergonha era estar na sala de aula, abrir a mochila e saía de lá de dentro uma barata”, recordou, com tristeza, o artista.
“Éramos crianças e tínhamos medo”
Visivelmente tomado pela emoção, o jurado do concurso da RTP1 “The Voice Portugal” partilhou, no entanto, episódios que não lhe saem da memória. “A água do mar entrava dentro das nossas casas e nós até disso fazíamos brincadeira. Depois vinha a porcaria toda, os ratos, as baratas, as osgas.” E continuou a descrever o cenário de miséria que viveu. “Não tínhamos água potável. O meu primeiro banho de banheira foi aos 15 anos. Tínhamos de ir buscar a água potável à bica. Eram três bicas para servir milhares de pessoas. Puxávamos mangueiras e, quando ela já estava ali há mais tempo, cortavam a tua mangueira e tinhas de fazer remendos. Depois, tínhamos de ficar de vigia na bica. Éramos crianças e tínhamos medo”, confessa, em suma, Dino, que vivia numa casa sem condições.
O artista, que entretanto, saiu do anonimato em 2003 durante a sua participação no programa da RTP1 “Operação Triunfo”, recorda o mundo da droga que o cercava: “Tínhamos toxicodependentes no Bairro dos Pescadores, muita gente de famílias que vinham de Lisboa e iam morar para o bairro. Vivíamos entre os traficantes, as pessoas que compravam os produtos, os trabalhadores que edificavam Vilamoura. Ali, eram as pessoas que não conseguiram vingar os seus sonhos, estavam todas no mesmo patamar, no mesmo lugar. Como é que podíamos ambicionar mais?”, assume, por fim.
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