Num quintal sujo, feio e degradado onde várias galinhas andam à solta, Noémia empurra a cadeira de rodas de Francisca. A vilã está uma sombra dela mesma. Os cabelos estão desalinhados, não tem maquilhagem, as roupas são simples e tristes e no colo tem um cobertor velho. Não conseguimos ver-lhe as mãos. Na realidade, ela não consegue mexer nenhum dos membros. A vilã está presa numa cadeira de rodas, tetraplégica, depois de ter caído de um penhasco, o mesmo do qual ela queria que Clara se atirasse. A morte seria um final demasiado fácil para tanta maldade de Francisca e quis o destino que ela conseguisse sobreviver à queda. Os médicos tentam ajudá-la mas Francisca fica tetraplégica. A psiquiatra também perde a voz. Teresa, a sua mãe biológica, chama então Noémia e Severino, os pais adotivos, e paga-lhes uma boa quantia para cuidarem da vilã. O casal, que sempre a tratou mal, tem agora como missão cuidar dela nesta fase da sua vida.
“Vá, fica aí a apanhar ar. Lá dentro só atrapalhas”, diz-lhe Noémia. Francisca continua sem reações. “Já viste que se não fôssemos nós estavas sozinha? A tua mãe não te quer ver, ninguém da tua família se importa contigo”, afirma a mulher, num tom de troça. Depois deixa-a ali sozinha, para regressar mais tarde com um prato de sopa. Com colheradas rápidas e paciência zero, Noémia dá sopa a Francisca: “Vá despacha-te, lá”. Francisca engasga-se e cospe a comida. A sopa solta-se da sua boca e suja Noémia, que grita de nojo. “Olha o que fizeste, sua porca! Acabou-se, não comes mais nada!”, diz a mulher, irritada com a incapacidade de Francisca. A vilã começa a chorar, perturbando ainda mais a sua mãe adotiva. “Pára de chorar. Uma coisa te digo, se não fosse pelo dinheiro já estavas no poço!”, ameaça, depois deixa-a ali sozinha. Francisca tenta, como pode, comer o resto da sopa mas desequilibra-se e cai. Fica com o rosto no chão e não consegue pedir ajuda. Está isolada e chora num silêncio desesperante…