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Mais suspeitas de mais crimes cometidos pelo “rei Ghob”. A Polícia Judiciária não tem tido descanso e já não se sabe ao certo de quantos crimes é que Francisco Leitão é agora suspeito. A investigação conta já seis mortes que apontam para ele. Tânia, Ivo e Joana, mais dois jovens e o velho “Pisa-Lagartos”. Um velhote da região que trabalhou para Leitão até desaparecer. A cada passo que os inspectores da Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ dão, mais indícios se revelam. Mais mortes em aberto, mais desaparecimentos, mais suspeitas de abusos sexuais… e nasce a grande questão: por que motivo é que ninguém apresentou queixa? Medo! Francisco Leitão conseguiu manter uma enorme corte amedrontada. Fazia-os acreditar ter poderes sobrenaturais, usava-os, manipulava-os a seu gosto e os que não obedeciam… desapareceram.
Mais nove crimes
Leitão é acusado da morte de seis pessoas desaparecidas, mas o Ministério Público (MP) já mandou extrair outras certidões para serem investigados mais crimes de que o “rei Ghob” é o suposto autor. Entre abuso sexual e homicídio, ao todo, são mais nove, os crimes de que é suspeito. Não há corpos das vítimas atribuídas ao “rei dos Gnomos”, mas a PJ encontrou sangue no porta-bagagens de um carro usado com frequência por Francisco Leitão. Os testemunhos de jovens que frequentavam a casa (castelo) do “rei dos Gnomos” serão vitais neste julgamento e nas novas investigações que se avizinham.
Frio e imputável
A grande conclusão que emerge das avaliações feitas ao “rei Ghob”, no Instituto Nacional de Medicina Legal de Lisboa, é que Francisco Leitão tem consciência do que faz. Perturbado, é portador de uma personalidade vulnerável, com traços de narcisismo e comportamentos antissociais. Manipulador, frio e instável, revela uma baixa tolerância à frustração. Violento, projecta a responsabilidade dos seus actos em terceiros. Não padece de qualquer doença psicológica que lhe perturbe a capacidade de avaliação e decisão, por isso mesmo foi considerado imputável dos seus actos e deve por isso ser julgado como qualquer outro cidadão.
Drogava-os e abusava deles
Logo nas primeiras edições em que abordámos este caso, revelámos que alguns dos rapazes que frequentaram o castelo na Carqueja contaram que quando lá dormiam, acordavam com dores. Não se lembravam de nada, mas mal acordavam, sentiam-se “doridos”. Eram sexualmente abusados pelo Leitão. Aliás, tal como contámos nas primeiras edições sobre Francisco Leitão, ainda antes de este ter sido detido, já a PJ tinha vídeos do “rei dos Gnomos” em relações sexuais com diversos jovens. Algumas dessas imagens estavam publicadas na Internet, em diversas contas de redes sociais. As mensagens sms trocadas (na altura da detenção de Leitão) por antigos frequentadores do castelo do “rei Ghob” com a família de alguns dos desaparecidos foram muito esclarecedoras para o trabalho da PJ.
O Castelo do Rei
Francisco José da Cruz Leitão, 42 anos, foi ali criado com os dois irmãos (Luís e Dina). Esta e o seu companheiro continuam a habitar o castelo, dizem-nos, construído (onde antes era um casebre) por decisão de Leitão, nos últimos “sete, dez anos”. Muitos dos gnomos (como Leitão designava os seus seguidores) fizeram de pedreiros. Mas de onde vieram os materiais ninguém sabe. Sabe-se apenas que o pai tinha ali uma sucateira (Reciclagem Estremadura) que há muito está inactiva. O castelo erguido na Carqueja está protegido e rodeado por câmaras de filmar. A casa tem estatuetas e símbolos diversos. Desde a Branca de Neve a brasões de armas e símbolos medievais. O interior tem altares e os azulejos das paredes das casas de banho do “rei Ghob” são pintados à mão e ele é a figura representada nas formas bíblicas mais rebuscadas. O alçapão secreto do castelo (cuja existência aqui afirmámos logo no início) descoberto pela PJ é um tugúrio onde alguns rapazes relatam ter sido abusados é já parte de uma outra propriedade contígua. Na Carqueja há paz e calmaria. Mas logo que o tema é “Ghob”, o caso muda de figura. Das práticas satânicas, incluindo profanações de campas no cemitério onde a mãe de Leitão está enterrada (S. Bartolomeu dos Galegos), há relatos de diversas actividades tidas por “Ghob” e os seus gnomos. E há medo, claro.