
O que se poderá dizer sobre a partida de João Ricardo, além de que foi injusta e muito cedo. A memória que tenho dele é muito presente nos meus fins de semana, porque em quase todos eu, quando tomava o pequeno-almoço, ali na zona do Príncipe Real, em Lisboa, o encontrava. Muitas vezes dividimos uma mesa pequena na pastelaria a cheirar a bolos e a pão acabado de fazer. João tinha a graça natural de nos invadir a vida e ficar dentro dela. Via-o muitas vezes com o filho a passear no mesmo jardim. Não se pode dizer nada sobre alguém que gostamos, que nos faz bem, que nos marca de certa forma e que parte… a última vez que o vi, foi na Rua da Escola Politécnica. Estava muito debilitado. Muitíssimo. Dizia que não! Queria o mundo para ele e não acreditou nunca (pelo menos do que me pareceu) que fosse embora nesta altura. Ia na sua vida, sempre com o seu jornal debaixo do braço. Neste último encontro não falámos de nada, foi um abraço corrido de “que bom, estás aqui!”… Segui o meu caminho, ele o dele. A vida corre muito depressa… Querido João, não passarei pela pastelaria do Príncipe Real dia nenhum sem me lembrar de ti. Acredita!