




Embora seja uma altura de muito trabalho, com vários programas especiais e a “Gala das Estrelas” da TVI, que já é um clássico da estação,
Fátima Lopes, 45 anos, não descura o Natal, época que adora desde criança e a que dá ênfase no seio da família. Este ano, a apresentadora e o marido, Luís Morais, até decidiram fazer um presépio grande, com todas as figuras. O filho mais novo, Filipe, 5 anos, adorou e a mais velha, Beatriz, 14, também participou.
Como vai ser este Natal?
Seguindo as tradições: a família junta e com todos os rituais bem portugueses, tal como nos outros anos.
Quantos são à mesa?
Na véspera, somos 18 ou 19 na casa de uma tia do Luís, no dia 25 somos só nove e é em minha casa. Nós, os meus pais, a minha irmã, que vem do Norte, a minha sobrinha e cunhado. É uma coisa calminha, mas boa na mesma pelo espírito que se vive.
Vai para a cozinha?
Vou, mas dividimos tarefas. Normalmente, é o Luís quem cozinha, que faz o almoço e o jantar. Eu dou o apoio logístico. Estamos ali os dois na cozinha como formiguinhas, mas depois ficamos muito satisfeitos. Sabemos que quando a família chega percebe que preparámos tudo com muito carinho e amor, tudo pensado ao pormenor, até a decoração da mesa, que é uma parte que me cabe a mim. É uma quadra que vivo intensamente.
O que costumam comer?
Na véspera, comemos bacalhau e polvo, porque a família do Luís é praticamente toda de Trás-os-Montes. Doces são os coscorões, as filhós, as fatias douradas. No dia, costumamos fazer o cabrito assado e variamos nas entradas. As sobremesas são as típicas: o bolo-rei, os melhores coscorões do mundo, que são feitos pela minha irmã, os sonhos de abóbora da minha mãe e o meu pai faz uma coisa típica da terra dele que se chama velhoses, que são feitas com abóbora, levam um bocadinho de aguardente e são muito saborosas.
As crianças vibram com o Natal?
A Beatriz adora, mas o Filipe está numa fase muito gira. Este ano é que sinto que ele está a despertar verdadeiramente. Fizemos a árvore de Natal no dia 29, ele, o pai e eu. A Beatriz também participou, mas depois tinha de estudar e ficámos os três. O meu marido também decidiu fazer o presépio. Comprámos musgo, figuras novas e estivemos uma tarde inteira a fazê-lo. Quando acabámos, os olhos do Filipe faiscavam de alegria. Foi tocante.
Pai Natal ou Menino Jesus?
Os dois. A Beatriz já não acredita no Pai Natal há muito, mas brinca com o pequenino, que espero que acredite por muito tempo. Já eu continuo a acreditar, porque na minha cabeça era bom que existisse uma pessoa assim no mundo. Não resisto a dar um abraço a um Pai Natal quando o vejo e tiro uma fotografia como se fosse uma miúda.
O Filipe fez a carta ao Pai Natal?
Fez. Ele ditou e eu escrevi. Pede poucas coisas e recebe um presente.
Não há, portanto, excessos?
Absolutamente. Sou muito rigorosa, mesmo quase tirana, com as questões consumistas. O Filipe sabe que, dos presentes que estão na árvore, há um que vem do Pai Natal e os outros vêm da família e dos amigos. E porque é que o Pai Natal só traz um presente para cada menino? Porque é a única maneira de poder dar a todos e, mesmo assim, há alguns que não conseguem ter.
É uma questão de educação?
Sim, senão tornam-se uns consumistas terríveis. A Beatriz não pede nada. Faz até aflição com a idade que tem, 14 anos. Obviamente, às vezes fala-me que gostava de querer ter isto ou aquilo. Se acho que sim, digo-lhe “está bem, a mãe compra-te se tu mereceres”. Senão, digo-lhe que as amigas podem ter tudo, mas que acho que ela não precisa disso para ser feliz. Lembro-a que tem colo, carinho, quem a acompanhe e não há nada que tenha valor igual.
Que recordações tem dos natais em que era criança?
Muitas. Recordações de quando meus avós eram vivos. Passava sempre a véspera na casa de uns e o dia nos outros, mas como a minha avó materna não vivia em Lisboa nem sempre se conseguia fazer isto. Juntávamos os tios. Era sempre uma grande algazarra, uma agitação. Nunca foram natais de milhares de presentes, primeiro porque venho de uma família humilde, não havia para dar, e depois, mesmo quando todos já tinham uma situação melhor, era a política. Um presente bastava e abri-lo era especial.
Abre os presentes à meia-noite?
Abro à meia-noite os da Consoada e, no outro dia, abro com a minha irmã, depois de almoçarmos. Os presentes são só para os miúdos. Há três anos que é assim e, confesso, que me bati muito por isso.