Estava numa fila para um
casting em Nova Iorque, onde vive, quando recebeu o convite para integrar
“Mar Salgado”.
Marco Costa, 37 anos, percebeu logo que Xavier, um homem agressivo e controlador, era uma daquelas personagens que não se pode recusar. Falou com a mulher, Erin Winebark, fez as malas e mudou-se para Lisboa durante 11 meses. As saudades apertam, mas está feliz com o seu papel.
casting em Nova Iorque, onde vive, quando recebeu o convite para integrar
“Mar Salgado”.
Marco Costa, 37 anos, percebeu logo que Xavier, um homem agressivo e controlador, era uma daquelas personagens que não se pode recusar. Falou com a mulher, Erin Winebark, fez as malas e mudou-se para Lisboa durante 11 meses. As saudades apertam, mas está feliz com o seu papel.
Como tem sido a reação das pessoas na rua?
Confesso que quando recebo um insulto, considero um elogio. A melhor coisa que ouvi veio de uma senhora em Setúbal, que me disse: “Quero dar-lhe os parabéns pelo seu trabalho, porque o que está a fazer foi a minha vida. O meu pai era uma pessoa como o senhor”. A violência doméstica existe.
Estava à espera que a personagem crescesse tanto?
Não. Espero que este núcleo tenha tido impacto pelas razões certas, que tenha mexido com as pessoas. E aqui é preciso ressaltar o trabalho da Sandra Barata Belo [Júlia] e da Raquel Oliveira [Elsa]. Sem elas, não teria sido possível.
São sempre cenas duras…
São muito duras mesmo. Não é só a violência física mas também o dilema que existe dentro dele. Cega e quando termina acabou de magoar a pessoa que adora e ao mesmo tempo faz isso porque a ama. É uma obsessão. O Xavier é um carrossel de emoções e isso é um desafio.
Sai exausto?
Estou exausto. Posso gravar 15, 16 cenas dessas num dia. É preciso saber descomprimir. Aprendi que tinha de ficar sem falar com ninguém durante uma hora, principalmente com a minha mulher, que está longe. Foi a primeira personagem em que não tenho de parecer, tenho de ser. Senão fica falso.
Que balanço faz?
O Xavier foi uma dádiva. Agora, quando terminar, volto à luta. A vida de ator é assim.
Fica cá ou volta para Nova Iorque?
Mal acabe, regresso a Nova Iorque, que é onde vivo.
Vive lá há quanto tempo?
Mudei-me em dezembro de 2013. Os primeiros dois meses foram complicados, porque era preciso tratar de vistos e tinha de me manter dentro do país, mas não podia trabalhar, senão arriscava-me a não ter visto. Tudo se resolveu. Tive a sorte de conseguir fazer três filmes, ter um convite para uma peça e para uma leitura encenada. Entretanto, surgiu a novela.
Sente-se um ator do mundo?
Não sou um ator do mundo. Tenho é a sorte de estar representado em Londres, Portugal e de ter arranjado um manager nos EUA.
É um prazer vir a Portugal representar?
Não é um prazer, é a minha prioridade e isso é que é um problema. Adoro trabalhar no meu país e, felizmente, tenho conseguido.
E o que o fez mudar-se para Nova Iorque? O amor?
Sim, foi o amor.
Onde conheceu a sua mulher?
Em Portugal. Foi a Mariana Norton de Matos, minha madrinha de casamento, que nos apresentou. A Mariana, quando estudou nos EUA, foi colega da Erin. Ficaram muito amigas e, há um dia, em que a Erin veio cá passar férias e o Marco estava no sítio certo. Conhecemo-nos, ficámos a falar e foi o construir de uma relação que terminou em casamento.
Casaram-se onde?
Fiz questão que nos casássemos cá e depois pensámos onde podíamos ambos trabalhar. A minha mulher, embora já fale muitas coisas em Português, não é fluente, e tinha trabalho fixo em Nova Iorque. Eu acho que me posso considerar bilingue, por isso fui à luta.
Como é viver na Big Apple?
Toda a gente pensa que é uma loucura, mas não. Faço vida de bairro, falo com os vizinhos quando passeio o cão, já me conhecem no café.
É difícil estar separado da sua mulher?
Claro que é. Tenho saudades da minha mulher. Estar separado é um processo muito complicado. Há inúmeras aplicações eletrónicas que atenuam a distância, mas falta o toque. Posso ouvir as palavras, sentir o carinho, mas às vezes passar a mão pelo cabelo vale mais do que tudo. Custa e só tenho de agradecer à Erin por aguentar e compreender.
Foi a primeira vez que se separaram?
Não. Quando namorávamos, ela estava lá, eu cá. Quase que trabalhava para gastar em viagens e ver o meu filho e a minha mulher.
O seu filho está na Finlândia com a mãe?
Está. Tem 5 anos. Já joga hóquei no gelo e patina. É um puto magnífico. Fisicamente, não é parecido comigo, embora tenha cabelo escuro e olhos castanhos, mas tem uma personalidade muito própria e vincada que acho que herdou de mim.
Falou-se muito do acidente que Joana Santos sofreu numa cena consigo…
Foi um incidente, o que acontece em gravações. Não foi perda de controlo e não partiu a cabeça como foi dito. Foi um corte.