
Aos 47 anos, Afonso Vilela adorou a experiência no programa de culinária da TVI – no qual sempre sonhou participar – e já pondera voltar a dedicar-se ao ramo da restauração. E, embora tenha estado muitas vezes em risco de ser expulso, acabou por ganhar o concurso.
Foi o grande vencedor. Qual o balaço desta experiência?
Muito positivo! Porque é ótimo ganhar, mas também por todo o companheirismo que se viveu. Isso sobressaiu à competição. Não estávamos uns contra os outros. E, pelo que tenho visto nas redes sociais, as pessoas gostaram do programa.
Imaginava chegar tão longe?
Se não achasse que podia chegar longe também não tinha aceite participar. Mas, logo no primeiro programa, pensei: ‘Estou tramado’. Acho que não houve ninguém que estivesse tantas vezes prestes a ser eliminado como eu. Ao contrário da Sara [Prata], que nunca fez eliminatórias. E desde o início que ela era uma grande favorita. Já eu nunca fui um favorito, pelo que fui vendo na internet (risos). Mas isso também dá graça e emoção ao programa.
Foi uma boa surpresa?
Sim, tendo em conta o meu percurso atribulado no programa. Mas, quando entrei, foi com o objetivo de ganhar. A vitória assim também tem outro gosto. Ninguém lutou tanto ali como eu. Cada prova foi difícil e os chefs massacraram-me.
Qual foi a prova mais complicada?
A da cozinha do hotel. Era uma prova humanamente impossível. Mas demos o nosso melhor.
Qual o prato de que mais se orgulhou?
Os que fiz na final. Houve dois que gostei e que até foram bem pontuados pelo júri. Os raviólis de funcho com bacon, creme de espargos e queijo. E também uma sopa de camarão e abóbora com gengibre. Foram os pratos que tinham mais a ver comigo.
Há quanto tempo cozinha?
Desde miúdo. Sempre cozinhei para mim, os meus irmãos, para a minha filha. Nunca tive a vida que a maioria das pessoas tem, ser jovem e ter a comidinha feita. Sempre tive de desenrascar-me. E, devido a minha profissão na moda, não posso estar sempre a comer fast food. Tive de me habituar a fazer os meus pratos.
Também já trabalhou no ramo da restauração.
Tive dois restaurantes. Há mais de dez anos que não olhava para a cozinha de uma forma profissional. É impressionante o que a cozinha evoluiu a todos os níveis. E também, fruto do boom turístico que Portugal tem hoje em dia, cozinha-se muito melhor. A malta nova fá-lo bem e temos chefs fantásticos.
O programa também serviu para matar saudades dessa altura em que tinha os restaurantes?
E para aguçar a vontade de retomar esta área. Gostava de voltar a ter um restaurante ou estar mais ligado à área da gastronomia.
Não ficou assustado com o convite?
Não! Sempre vi o programa, até as edições internacionais. Sempre tive um enorme desejo de participar. Vi a versão de celebridades, penso que a espanhola, e pensei: Aí está um programa que eu adorava fazer. Quando recebi o convite fiquei com um sorriso de orelha a orelha. Aceitei logo! Adoro ver programas de culinária.
Já conhecia todos os concorrentes?
Já era amigo do Isaac [Alfaiate], conhecia a Sara [Prata]. Acho que as únicas pessoas com quem não tinha privado eram a Naide Gomes e a Vanda Miranda. E foram pessoas que eu passei a admirar.
Como era a vossa ligação nos bastidores?
Uma galhofa! Criámos um grupo no WhatsApp para falar e, por incrível que pareça, as pessoas mais ativas nessas conversas são a Leonor [Poeiras] e os chefs. Eles apoiaram–nos muito e foram, de facto, excecionais!
Foi mais duro do que esperava?
A cozinha é umas das minhas grandes paixões. Mas entrei muito iludido. Esqueci–me que, acima de tudo, aquilo era um programa de televisão. Fazer aqueles pratos todos em tão pouco tempo é muito difícil.
Qual sua especialidade na cozinha?
Adoro fazer sopas. De tudo! Faço para 30 ou 40 pessoas e congelo. Mas não duram muito. A família e os amigos começam a passar lá por minha casa e pedem para levar.
Qual o segredo?
Não uso água, uso caldos. Pode grelhar-se alguns alimentos, mesmo que sejam restos ou ossos, para dar mais sabor. Existem inúmeras técnicas.
Qual o prato de que a sua filha, Mariana, mais gosta?
Acho que são as sopas. Não só da minha filha como da classe feminina recebo muitas críticas. Começam a dizer: ‘Queres é que eu engorde?’ ou ‘pára de fazer estas coisas’ (risos).
Sempre teve cuidado com a alimentação?
Passei a ter, como evitar os hidratos ao final do dia. O ideal é ter bons hábitos! Também vou treinar, fazer surfe, escalada.
Fez, em junho, 30 anos de carreira como modelo. Que balanço faz?
Muito positivo! Mais do que acompanhar os tempos, os tempos acompanharam-me. Agora gostava de continuar o meu trabalho por Portugal. Viajei pelo mundo, mas cada vez mais gosto do nosso país.
Como olha para a nova geração de manequins?
Sempre tivemos um ótimo leque de modelos. Tenho pena que o mediatismo cada vez mais substitua o profissionalismo. Hoje em dia, o mais importante é o número de seguidores na internet. Às vezes, assisto a coisas que me deixam de cabelos em pé (risos).
Continua a trabalhar como ator. Ainda recentemente o vimos numa participação especial na novela da TVI “Ouro Verde”.
Sim, quase há tanto como o tempo em que trabalho como manequim. E, confesso, gostava de trabalhar mais nessa área.