
É um do artistas mais acarinhados pelo público e uma referência para muitos dos seus colegas. José Raposo, 54 anos, é daquelas figuras quase consensuais. Com uma carreira de mais de 30 anos, faz televisão, teatro e cinema quase em simultâneo. Atualmente, vemo-
-lo na série “País Irmão” (em exibição na RTP1). Está em cena com a peça “Simone – O Musical”, em Lisboa, e antes rodou, em Moçambique, o filme “Ruth” sobre a vida de Eusébio.
O seu ritmo de trabalho é sempre alucinante mas agora quer ser mais seletivo na escolha dos trabalhos para ter tempo para os netos.
A TvMais entrevistou-o a propósito da série do canal público, mas também falou-se de viagens, família e uma pitada de política.
“País Irmão” desvenda como é o outro lado das novelas. Não é perigoso ficarmos a saber tudo?
Não, antes pelo contrário. É muito bom porque as pessoas podem perceber como trabalhamos. Que muitas vezes o que aparece na televisão é influenciado pela política, pela religião.
Como é a sua personagem?
Sou o José, um produtor de novelas frustrado porque nunca conseguiu produzir o que gostava. Ficou parado em novelas como a “Gabriela” e o “Bem Amado” que eram feitas a partir de obras de grandes escritores. De repente há possibilidade de fazer uma grande novela, como ele gostava, só que há entraves.
Isto tudo embrulhado com humor.
Sim. O texto está muito bem construído. Estamos a adorar. Os colegas brasileiros são ótimas atores e também não estavam à espera de algo tão positivo. O elenco português é fantástico.
O Zé não pára. Está na televisão, fez um filme, está num espetáculo…
É verdade, a coisa tem corrido bem, é bom reconhecerem o nosso trabalho.
Parece que faz tudo de uma forma simples e descontraída.
Temos essa sorte de fazermos o que gostamos, mas trabalhamos e de que maneira! E o público nem se apercebe como é duro, a carga horária, a exposição, a falta de tempo que temos para a vida do dia a dia. Por exemplo, nunca tive férias a sério. Vou tendo períodos. Não me queixo, antes pelo contrário.
Esteve em Moçambique em junho.
Fui fazer um filme, “Ruth”, sobre a vida de Eusébio. Durante esses 20 dias de filmagens, tive uma semana livre. A minha mulher [a atriz Sara Barradas] foi comigo e andámos a passear pelas praias maravilhosas daquele país. No fundo foram férias mas aproveitando o trabalho.
Como estão os seus netos?
Estão maravilhosos! O Matias tem 2 anos, o Noah 6 meses. E é uma felicidade quando estou com eles. Lá está… estou menos tempo com eles por causa destas atividades todas.
Não lhe apetece parar para usufruir mais da família?
Estou cada vez mais seletivo em relação ao trabalho. Sempre consegui usufruir da vida e do trabalho, conciliando as duas coisas, mas quero ser mais seletivo. Vou abrandar o ritmo.
Vamos deixá-lo de ver nas novelas?
Não. Mas vou ter de fazer papéis com menos destaque. O teatro vai ter mais importância na minha vida. É o que gosto mais de fazer, ter contacto com o público, mas também é o que dá menos dinheiro. Mas, para mim, o dinheiro não é tudo na vida.
