
Ele é um dos grandes vilões, ela uma doce secretária. E o pior acontece no dia em que Heitor apanha a mulher próxima de outro homem. Uma história fictícia mas que está muito ligada à realidade. Ao longo dos próximos episódios, vão repetir-se as cenas de violência e, para Rui Unas, não foi fácil gravá-las. “A carga era tanta que nós ficávamos largos minutos alterados e perturbados. É sinal de que nos entregámos à cena e, se isso aconteceu, espero que passe para quem vê”, conta o ator.
Para se prepararem para viver estas personagens, ambos fizeram um trabalho especial. “Tive de fazer uma preparação específica. É um papel com uma grande responsabilidade. Foi um trabalho complicado, porque, infelizmente, é uma realidade do nosso país. Tive uma grande ajuda na preparação”, confidencia Bárbara Norton de Matos, que acredita que “Nazaré” “vai mexer muito com as pessoas”. Também o seu parceiro se preparou com cuidado. “Fui buscar lados mais negros que, definitivamente, não existem na minha vida diá-
ria, mas que, no entanto, todos nós temos. Acredito que todos temos um assassino, um agressor, um lado mau, violento e que é despertado nas circunstâncias certas. Aqui, tive de resgatar esse lado mais negro”, explica.
Ele não vê as cenas
As imagens têm sido de tal ordem impactantes que Rui Unas confidencia: “Não consigo ver as minhas cenas. Não gosto de me ver naquela situação, a fazer aquelas coisas, pela intensidade, pela maldade. Não me reconheço e fico transtornado ao ponto de não conseguir ver”, atira. Perante tudo isto, o ator admite já estar preparado para que o público não goste dele. “Se não gostarem de mim, é ótimo sinal. O Heitor não vai trazer sentimentos fixes às pessoas, que me acarinham sempre pelo que faço. Estou preparado para não estarem assim tão sorridentes, porque, se calhar, vão lembrar-se daquilo que fiz na novela. E, se acontecer, é bom, é sinal de que estão atentas ao meu trabalho”, finaliza.