
O tio de Daniela Ruah, o médico Joshua Ruah, lançou recentemente um livro autobiográfico no qual fala das memórias judaicas de uma vivência em Lisboa. “Um Judeu de Lisboa” é o nome da obra, que atravessa várias gerações e que inclui lembranças inapagáveis da sua infância e juventude, do seu percurso como médico e como presidente da Comunidade Israelita de Lisboa durante 23 anos, que lhe proporcionou encontros memoráveis com figuras históricas como Mário Soares, o Papa João Paulo II ou Yasser Arafat, o mítico dirigente da OLP.
“Por exemplo, eu provavelmente sou berbere. Não se tem a certeza porque o meu apelido em hebraico pode ler-se de duas maneiras diferentes, ou aquela que eu uso, e que quer dizer ‘espírito ao vento’, ou um nome que existia no Médio Oriente, que se escreve com as mesmas letras e se pronuncia ‘Revah’. Sempre que lá vou dizem que sou berbere, porque na opinião dos marroquinos não tenho cara nem de judeu nem de mouro. A mim tanto me faz, porque, na realidade, sou um judeu-português. Com a diáspora, os judeus adquiriram uma característica muito especial, que é a biculturalidade. Eu não sou um homem de práticas, mas se quiser posso seguir as tradições judaicas e ao mesmo tempo ser sócio do Benfica e gostar de sardinhas assadas.”
Em 1940, no auge da Segunda Guerra Mundial nasceu Joshua Ruah, em Lisboa. Profundamente marcado pela sua vivência no coração da capital privou com numerosos intelectuais e políticos frequentadores dos lugares emblemáticos da cidade e que eram amigos da família.
Filho do médico Moisés Ruah, cirurgião de renome no domínio da Urologia e neto do famoso fotógrafo Joshua Benoliel, decidiu em 1959 entrar na Faculdade de Medicina e teve uma carreira de sucesso durante mais de cinquenta anos a exercer cirurgia e na direcção e chefia de serviços hospitalares.
Dedicou-se a instituições culturais e cívicas juntamente com uma absorvente actividade médica, cirúrgica e hospitalar e integrou a direcção da Comunidade Israelita de Lisboa.
Nessa qualidade, passou a ser ouvido e respeitado pelos órgãos de soberania, por três Chefes de Estado, por diversos governos e pelos grupos parlamentares da Assembleia da República ao pronunciar-se acerca de temas polémicos tais como a interrupção voluntária da gravidez, a eutanásia e os estudos preparatórios da lei da liberdade de culto religioso. Procedeu à recuperação da comunidade judaica de Belmonte, que se encontrava na clandestinidade há séculos, sendo historicamente reconhecida como a única da Península Ibérica e herdeira legítima dos judeus sefarditas. Presidiu à Comunidade Israelita de Lisboa durante 23 anos com vários memoráveis encontros entre os quais com o Papa João Paulo II e por duas vezes, com Yasser Arafat, o mítico dirigente da OLP.
Ficha do Livro
Título: Um Judeu de Lisboa
Nº págs: 248
PVP C/ IVA: 23,90€