
Oito dias depois de ter sofrido um violento embate ao volante do seu Mini Cooper, em Los Angeles, Anne Heche faleceu. De acordo com as investigações da polícia local, que ainda estão a decorrer, no dia 5 de agosto, a atriz conduzia em alta velocidade quando saiu da estrada e atingiu a uma residência, que ficou totalmente destruída. Ficou em coma, com queimaduras graves, danos cerebrais irreversíveis, mas o suporte respiratório que a mantinha viva só foi desligado no dia 14 de agosto. “A Anne tem o desejo de doar o seus órgãos há muito tempo, então, estamos a manter os aparelhos ligados até descobrir se a doação de algum dos seus órgãos será viável. Queremos agradecer a todos as mensagens bondosas e orações para Anne. Queremos também agradecer às enfermeiras maravilhosas e à dedicada equipa do hospital Grossman Burn Center em West Hill”, pode ler-se num comunicado enviado pela família da atriz.

Moradora perdeu tudo
Logo após o acidente, site o “TMZ” revelou que, de acordo com fontes da polícia de Los Angeles, a atriz conduzia sob o efeito de cocaína e fentanil, um poderoso analgésico. O jornal “Daily Mail”, na sua reportagem, acrescentou, a essas substâncias, álcool, numa quantidade considerável. Certo é que Anne Heche estava fora de si enquanto ia ao volante. Com a colisão, o automóvel e a residência na qual embateu pegaram fogo imediatamente. Foram precisos 59 bombeiros e 65 minutos para extinguir as chamas. Segundo a revista “People”, Lynne Mishele, moradora da casa atingida, que no momento do embate não estava no local, perdeu todos os seus pertences com o incêndio. Um vizinha relatou publicação que ela “estava em choque”. “Ela só dizia: O que aconteceu? O que aconteceu?”, contou. Entretanto, foi criado pelos proprietários da residência que Lynne alugava, na página “GoFundMe”, um fundo para receber doações para a reconstrução da casa e ajudar a moradora. No texto, a inquilina é descrita como uma pessoa simpática e generosa, que vivia naquele local com os seus dois cães e uma tartaruga Marley. “O mais angustiante é que Lynne perdeu os bens de toda uma vida, as recordações, os equipamentos para os seus negócios, incluindo o seu computador portátil e o iPad, as suas roupas e itens de necessidades básicas, bem como todos os utensílios domésticos. Com a ajuda dos bombeiros, conseguiu retirar alguns pertences de valor sentimental danificados dos destroços. Tudo o resto se foi”, lê-se no texto de angariação de fundos.
Uma vida conturbada
Estrela de filmes como “Donnie Brasco”, “Vulcão”, “Seis Dias, Sete Noites” e da série “Men in Trees – O Amor no Alasca”, Anne Heche foi sempre uma figura associada a temas polémicos. Nascida em Ohio, era a mais nova de quatro irmãos e começou a trabalhar aos 12 anos para ajudar a família. Em 2001, escreveu a sua autobiografia e fez revelações chocantes: foi abusada pelo pai durante muitos anos e ele tinha também uma vida dupla, era homossexual, tendo sido uma das primeiras pessoas a morrer com sida nos Estados Unidos. Além deste trauma, Anne também sofreu com a morte do irmão mais velho, aos 18 anos, num acidente de carro que a atriz sempre acreditou ter sido suicídio. Na vida amorosa não foi bem-sucedida. Namorou com a comediante Ellen Degeneres de 1997 a 2000 e a relação terminou com um surto psicótico de Anne a invadir, de cuecas, a casa de Ellen. Foi casada com o operador de câmara Coleman Laffoon, de quem teve um filho, Homer, de 20 anos. Teve também um relacionamento com o ator James Tupper, seu colega de trabalho, pai do seu filho mais novo, Atlas, de 13 anos.

Depois de ser retirada do carro em chamas, e já na maca, a atriz, em choque, levantou-se enquanto estava a ser levada para a ambulância