
A menopausa é um período da vida das mulheres que carece de alguma atenção, uma vez que há alterações – hormonais e físicas – que devem ser observadas e tidas em conta para que sejam controlados os sintomas, prevenindo eventuais complicações que possam surgir na sequência das mudanças a que a mulher está sujeita nesta etapa. Ainda mais quando ela acontece antes da idade considerada normal. Nesses casos, estamos perante uma falência ovárica prematura (FOP) – que consiste na “suspensão da função dos ovários antes dos 40 anos, contrariando a falência ovárica espontânea que ocorre sobretudo aos 50 anos”.
Tem maior incidência em mulheres entre os 35 e os 40 anos, e, não sendo induzida, metabólica, pode surgir como consequência de “causas secundárias, como tendência familiar, alterações genéticas, doenças autoimunes, infeções virais, iatrogenia (quimioterapia, radioterapia, tratamento tóxicos para os ovários), ansiedade, doença da tiroide e aterosclerose”.
“Quando a mulher apresenta ausência das menstruações ou perdas menstruais irregulares de forma sistemática e antes dos 40 anos, deve ser investigada a função ovárica com exames analíticos”, alerta o médico ginecologista Joaquim Neves, sublinhando que o “diagnóstico de menopausa é retrospetivo, após confirmação de ausência de menstruação por 12 meses consecutivos”.
Existem ainda outros parâmetros que o médico pode avaliar para diagnosticar a condição, como, por exemplo, análises hormonais que ajudam a confirmar a redução da atividade dos ovários com a consequente diminuição da produção de estrogénios. “A abordagem da mulher com suspeita de FOP incluiu um estudo da história clínica com a recolha de elementos que podem indicar uma eventual causa (que, na maioria dos casos, não existe)”, conclui o especialista.
SINTOMAS:
• a ausência da menstruação (amenorreia) ou irregularidades nas perdas menstruais
• sintomas vasomotores como suores (sudorese acentuada) e afrontamentos (vespertinos/noturnos)
• alterações no padrão do sono
• irritabilidade
• queixas vaginais (secura; desconforto; dor nas relações sexuais; disfunção sexual)
• falta de concentração
EFEITOS
A curto/longo prazo da falência ovárica precoce estão relacionados com:
• infertilidade imediata
• alterações tróficas das mucosas (particularmente
a vaginal)
• alterações ósseas (sendo um dos itens no algoritmo da avaliação do risco clínico de fraturas de fragilidade, a ocorrência ou não de FOP).
Estas alterações ósseas serão mais relevantes com a idade avançada ou na presença de outras condições que interferem no metabolismo ósseo.
Estou na menopausa. E agora, o que fazer?
Antes de mais, não desespere e procure ajuda médica. Cada caso é um caso e o tratamento deve ser direcionado. “Na presença de sintomatologia vasomotora ou vaginal significativa e que interfere com as atividades diárias da mulher, pode ser elaborada intervenção médica com ou sem fármacos no sentido de minimizar os sintomas”, esclarece o especialista, lembrando que “o tratamento hormonal é a base de eleição da abordagem médica em mulheres sintomáticas, propondo tratamento sistémico na presença de sintomas vasomotores e alterações do sono ou queixas psicogénicas, e tratamento local na predominância de queixas vulvovaginais”. “Atualmente em Portugal existem formulação bioidênticas de hormonas disponíveis”, explica, explicando que “em alternativa ou na contraindicação das hormonas podem ser utilizados produtos similares, mas com eficácia mais reduzida e um padrão diferente de efeitos adversos”.