Numa tarde de sábado cinzenta, os estúdios onde se grava “Com Amor se Paga”, em Alcochete, enchem-se de pessoas parcas em palavras. Não que sejam tímidas, mas não podem estragar as surpresas. Tudo é construído de forma a que os protagonistas das histórias não percebam o que vão lá fazer.
Enquanto no palco se testam os passos de dança, a música e as posições, em pontos dispersos os convidados – dispostos a surpreender um familiar ou amigo – escondem-se. Brinca-se ao jogo do “gato e do rato”. Após um dia de ensaios, Catarina Furtado refere que “se transforma de abóbora em apresentadora” e sobe ao palco para apresentar cinco histórias “que são uma fonte de inspiração nos tempos que correm”. Após três horas de gravação, sem muitos cortes, Catarina ruma ao camarim com uma lágrima ao canto do olho.
“Comovo-me facilmente com as histórias de quem dá. Não quero que as pessoas chorem ‘baba e ranho’. Não estamos aqui a evidenciar as desgraças mas, sim, quem as minimiza e as ajuda a combater. Chora-se sem pieguice.”