

A entrada de Elisabete Moutinho, de 23 anos, na quinta edição de “Casa dos Segredos”, na TVI, apanhou de surpresa a mãe da jovem, que a apoia incondicionalmente. “Ela é maior de idade e foi o que escolheu. Muitas pessoas da família não gostaram de a ver entrar no programa pois dizem que vai sujar o nome deles. Mas para esses fica um recado: ‘metam-se na vossa vida’, ”, afirma Alzira Moutinho à tvmais. Aos 54 anos, não pode trabalhar por motivos de saúde, que explica: “É um problema de visão que herdei da minha mãe. Ela era cega e de 11 filhos só três viam bem. Tenho uma incapacidade de 75% e podia ter cegado completamente se tivesse tido outro filho”.
Divorciada há oito anos, Alzira não mantém qualquer contacto com o ex-marido, pois não está “para aturar certas coisas”. “Ele nunca ligou ao trabalho, mas eu sempre quis andar com a cara limpa e a cabeça levantada. O meu casamento foi sempre muito complicado. Ele dizia que não pretendia casar-se pela Igreja, mas eu, como sou católica, queria muito. Depois engravidei e as coisas complicaram-se.”
Durante a infância de Elisabete, Alzira passou por momentos críticos à boleia do casamento e até tentou o suicídio com a filha ao colo. “Tentei matar-me em Amarante com a Elisabete, quando ela tinha 2 anos. O meu ex-marido fazia-me a vida difícil. Batia-me e tratava-me muito mal”, justifica. “Um dia, pediu-me para servir a sopa e, como estávamos zangados, não o fiz. Ele levantou-se, pegou na panela a ferver e virou-a por cima de mim.” De seguida, “tirei a roupa toda e fui tomar banho. Peguei na minha filha e saí de casa em direção à ponte de Amarante. Ia matar-me com ela, mas ouvi uma voz a dizer-me para não fazer aquilo. Pensei e acabei por ir à igreja e foi juntamente com o padre que percebi que ia cometer uma loucura. Sabia que o meu ex-marido não ia chorar por mim, mas iria sentir-se culpado pela morte da filha”. Mais calma, fez queixa dele à polícia, “mas não aconteceu nada, a não ser a apreensão de duas pistolas que ele tinha”.
A vida de Alzira não era fácil: “Eu fechava-me no quarto com a minha filha para ele não me bater. Ele dava pontapés na porta e a Elisabete só gritava: ‘Oh pai, oh pai…” Coitadinha!” “Ele nunca deu sustento à família. Nunca tinha dinheiro para nós, mas para o café dele havia sempre. Ia de manhã e chegava à noite e a minha filha ia para as tias e elas davam-lhe de comer e eu ficava-me por uma cevadinha com pão. Passámos muita fome”, recorda, num desfiar de momentos interrompido pela emoção.
A família sempre passou por “muitas dificuldades financeiras” e Elisabete Moutinho só conseguiu licenciar-se em Educação Física na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) devido à obtenção de uma bolsa “que cobriu todas as despesas, porque se assim não fosse jamais podia estudar”, frisa a mãe, lembrando que “ela ficava lá na residência universitária para não gastar dinheiro, todos os tostões eram contados para que chegasse até ao fim do mês”. Nessa altura, eram os vizinhos que emprestavam o dinheiro para pagar as despesas escolares, “e quando a bolsa vinha devolvia tudo. Somos pobres mas honestos”.
“Lutadora”, a jovem há quatro anos teve de andar na apanha do morango. “Até me doía o coração de a ver a fazer aquilo. O corpinho dela estava cheio de bichos, mas tinha de ser, para podermos ter pão na mesa”, lamenta ainda Alzira, enaltecendo o feitio determinado da sua menina.