É na Comporta, por entre os arrozais, que Diogo Infante despe, por alguns minutos, o papel do vilão Manuel em “Jogo Duplo” (TVI) para falar da sua personagem, que não olha a meios para atingir os fins e está pronto para matar quem o ameaça. “Este homem é ambicioso e ele não vai parar enquanto não conseguir cumprir o seu plano, que é megalómano, porque ele tem uma necessidade de afirmação muito grande, proporcional ao seu ego”, começa por dizer o ator. “Acho que o Manuel é um homem mal-amado desde pequenino e é isso que o torna nesta pessoa determinada, fria e calculista”, continua, respondendo de seguida à pergunta que toda a gente faz: O que é que Manuel quer, afinal? “Reconhecimento. O Manuel foi um homem que não teve pai e isso determinou-o. Ele teve de trilhar o seu caminho. Obviamente que isso não legitima todas as maldades, mas ele é um sociopata porque deixou de ter valores morais”, explica, justificando um pouco as ações do seu mafioso. “É como se ninguém se tivesse preocupado com ele quando ele era pequeno e agora ele não tem os valores de uma pessoa normal.” Ainda assim, ele é capaz de sentir carinho. “A única pessoa por quem ele parece ter afeto, genuíno, é pelo João. E mesmo isso transforma-se num amor/ódio, às vezes como há com os pais e com os filhos. Estou curioso para saber o que é que o autor nos reserva.”
Desejo de poder
Para Diogo Infante, Manuel representa um bocadinho a ideia de que os fins justificam os meios. “Há aqui um regime quase totalitário que é um bocadinho assustador. Hoje em dia, acha-se que o dinheiro pode comprar tudo e vê-se, muitas vezes, o investimento de uma forma meramente calculista, desrespeitando os valores humanos. O Manuel representa um bocadinho esse poder, o poder económico.”
Assustador
Na vida real, Diogo garante não conhecer nenhuma pessoa com as características da personagem, mas que as há… “Ainda bem que não as conheço! Do ponto de vista da composição psicológica, o Manuel representa muita gente que tem poder, muito dinheiro, e objetivos que transcendem o comum dos mortais e esse lado pode ser assustador”, afirma, explicando que o tenta compreender. “É evidente que quando estou a representar tento não julgar a personagem, senão condiciono-a e eu tenho de a defender o melhor possível.”
Diogo Infante é o vilão Manuel: “Ele não vai parar!”
O ator descreve a sua personagem em “Jogo Duplo” como “um sociopata” que tem “uma necessidade de afirmação muito grande”.