Foi convidado para gravar apenas três meses, mas o sucesso foi tanto que celebra em setembro 19 anos à frente do popular “O Preço Certo”. Fernando Mendes, de 59 anos, é uma das figuras mais acarinhadas da televisão, e mesmo com menos 40 quilos, não deixa de ser carinhosamente tratado por o “Gordo”. Descontraído e sempre com uma piada na ponta da língua antes de iniciar a gravação consecutiva de mais três programas, a grande estrela da TV conta tudo sobre o concurso da RTP1, as saudades do pai, o tempo livre que gostava de ter para os netos, a concorrência e o assédio dos canais rivais ou ainda porque considera este o ano dos 42.

O que continuam a dizer-lhe na rua?

Pedem-me sempre para dizer: “Espetáculo!” Contam-me que veem o programa todos os dias e que, às vezes, até deixam queimar o jantar porque estão a ver “O Preço Certo”. Sinto o enorme carinho que têm por mim.

Já assistiu a algum episódio da novela “Rua das Flores”,na TVI?

Confesso que não vejo muita televisão e não aprecio novelas. Mas gosto muito do Roberto Pereira [autor da história do espetáculo que Fernando Mendes está a fazer pelo País] e liguei-lhe a desejar as maiores felicidades. Somos amigos! Vi muito pouco, não deu para perceber. Mas somos todos colegas. Não vale a pena estarmos aqui a “lutar” e a achar que estes são melhores do que aqueles. Eu não penso assim, nunca pensei.

E na SIC, já viu os diários de “Casados à Primeira Vista”?

Esse, por acaso, nunca vi. É a hora em que estou a gravar ou que vou jantar.

Continua a ser muito solicitado para mudar para outra estação de televisão?

Já acalmou. Já perceberam que não quero. Deixar este programa e sair para outro canal, eticamente não era bonito.Este é o que gosto e quero fazer. E na RTP tratam-me muito bem. Não chateio ninguém e ninguém me chateia. Não sou engraxador de estar sempre a telefonar ao chefe para saber se correu bem. Não é o meu feitio.Temos um relacionamento porreiro e saudável.Aqui não há vedetismos.A vedeta é o público.

Vai fazer 19 anos a apresentar o programa.  O que o continua a entusiasmar?

Fui convidado para fazer três meses de programa e passaram-se quase 19 anos. Acho que já fiz quatro mil e muitas emissões. Gosto muito de estar aqui, é giro. Gravamos dois ou três dias por semana, num total de nove programas. Aqui não há vedetismos. A grande vedeta deste concurso é o público. Como continuamos a ter muitas inscrições, é sinal que o público gosta, que, para além de ver em casa, quer vir cá divertir-se. Temos desde o doutor ao varredor, ao enfermeiro, ao presidente da junta… E temos tido muita malta nova. Os netos, que eram “obrigados” pelos avós a ver o programa, estão a aparecer muito para concorrer. E isso deixa-nos felizes.

Continua a vencer nas audiências?

Temos essa coisa boa, mas ainda bem que falas nisso… Não estamos aqui para competir com ninguém. Lá por estarmos à frente… Se assim continuarmos, tudo bem, se não tudo bem na mesma. As audiências nunca me preocuparam. Claro que gostamos de ganhar, lógico, mas nós fazemos o nosso trabalho. Vejo pelos outros canais que este é o horário mais difícil de combater. Mas não ligamos a isso. Importa-nos que as pessoas saiam daqui bem-dispostas e que levem, pelo menos, um eletrodoméstico. O que não quero é que as pessoas que vêm cá, fizeram 600 quilómetros, levantaram-se às 5 horas da manhã, regressem a casa de mãos a abanar. 

Continuam a trazer-lhe muitos presentes e iguarias típicas das regiões.

Há pessoas que criticam isso. Mas têm de perceber que, ao mesmo tempo que nos oferecem os bolos e essas coisas, também estão a fazer publicidade aos cafés da aldeia, aos restaurantes, ao artesanato. Acho que este programa continua a representar o país real. Todo o nosso povo passa por aqui.

Os concorrentes estão sempre à espera que os ajude a ganhar a “Montra”?

Quando não ganham vão tristes, queriam que eu ajudasse mais. Já estão à espera do meu toque, do piscar de olhar… Isto de ajudar um pouco fui eu que implementei no programa. Mas isto é um concurso. Também não podem ir ao casino e pedir ajuda à máquina para lhes dar o jackpot. Na “Montra” têm de puxar pela cabeça. Não sei se estamos a fazer bem, mas estamos – de certeza – a fazer o bem! E isso, hoje em dia em televisão, é o mais importante.

Sente que este programa mudou a sua vida?

Era algo que não queria fazer, pensava que não sabia fazer. E, se calhar, foi a melhor coisa que me aconteceu. Faço-o há quase metade do tempo da minha carreira.

Até quando se imagina a apresentá-lo?

Acho que é o último programa da minha vida. Portanto, até eu e o público querermos. Fazer outro não me passa pela cabeça.

Gosta de ver-se na televisão?

Não vejo muita televisão. Posso dizer que já gravei mais de quatro mil programas. Se vi “O Preço Certo” umas 50 vezes foi muito. Está feito, está feito! Tenho noção em que há dias em que faço bem, há outros em que estou menos bem e ainda há dias em que sei que estou muito mal. Sou o primeiro a sentir isso. Não sendo apresentador – e continuo a dizer isso –, às vezes falta-me um bocadinho de conversa.

Ao fim de 19 anos, porque continua a dizer que não é apresentador?

Não, sou ator! E faço aqui uma “perninha” simpática.

Não acha que a imagem de apresentador se tem sobreposto à de ator?

Sim, porque estou todos os dias exposto na televisão. Mas também me ajuda a vender e a publicitar os meus espetáculos. E dá-me gozo estar aqui. Venho trabalhar com muita vontade. É como no teatro: tenho o público ali mesmo ao pé de mim.

Como ator vai fazer 42 anos de carreira.Qual o balanço?

Estreei-me a 15 de novembro de 1980 na revista à portuguesa chamada “A Reviravolta”, no Teatro ABC.O balanço é muito positivo! Tive a sorte de ir para o teatro porque o meu pai [Victor Mendes] também era ator de teatro. Depois temos de ter algum talento para estarmos tantos anos nesta profissão. Mas continuo a dizer que o fator sorte é muito importante. As coisas apareceram-me, se calhar, nas alturas certas.

O seu pai faleceu nesse ano. Ele chegou a vê-lo em palco?

Não. Por seis meses… Tenho uma grande pena disso. Ele só soube que eu gostava de ser ator uns 15 dias antes de morrer. Fui eu que lhe disse. Ficou contente por um lado e ao mesmo tempo preocupado. Este é o ano dos 42! O meu pai morreu com 42 anos há 42 anos e eu faço 42 de carreira. Mas se ele estiver lá em cima a ver-me acho que estará orgulhoso do filho não ter estragado o nome do pai. Era um dos atores mais populares do Parque Mayer e não só.

Continua a conciliar o programa com o seu espetáculo de comédia “Insónia”?

Sim, andamos pelo País e pelo mundo. As pessoas aderem bem e ficam pasmadas ao ver-me 1 hora e 40 minutos sozinho em cena. Não é fácil! Foi outra coisa que quis provar a mim mesmo que conseguia fazer. E consegui! Gosto de andar em tournée pelo País. Em agosto e setembro devo parar e depois volto à estrada.

Perdeu muitos quilos após a operação. Como se sente agora?

Muito bem! Confesso que tive medo. Tendo aquele título de o “Gordo”, tive receio de que as pessoas estranhassem. Mas durmo muito melhor e o médico diz que as minhas análises estão ótimas. Fico contente!

Como estão os seus dois netos?

Ótimos! O mais pequeno fez agora 6 anos e a mais velha mais fazer 8. São os dois filhos da Nádia [filha mais velha, de 35 anos]. O Vítor [mais novo, de 29] acho que ainda não quer ser pai.

Como é o Fernando Mendes avô?

Podia ser mais avô. Nesta vida de artista – já com o meu pai isso acontecia – temos uns horários um bocado diferentes. Babado sou, mas devia ser um avô mais presente. Aos fins de semana, eles estão mais livres porque não têm escola e eu estou a fazer espetáculos. Durante a semana, tenho mais tempo e eles estão na escola. Mas a vida dos artistas é assim.

Gostava que algum dos netos seguisse as suas pisadas?

Sei que o mais pequenino adora magia. Já pedi ao Luís de Matos uns truques para ele fazer. A mais velha adora balé. Não os estou a ver no teatro, mas se eles assim quiserem… Quem sabe?!

Continua a viver com o seu filho Vítor?

Continuamos a viver juntos. É porreiro! Agora ele passa mais tempo com os amigos, também tem a sua vida e “pira-se” mais de casa. É uma companhia extraordinária, bom filho e bom rapaz.

Palavras-chave

Relacionados

Mais no portal

Mais Notícias

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Cosentino inaugura o Cosentino City Porto e reforça a sua presença em Portugal

Cosentino inaugura o Cosentino City Porto e reforça a sua presença em Portugal

Parabéns, bicharada!

Parabéns, bicharada!

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

Portugal precisa de mais habitação, mas tem capacidade para a construir?

Portugal precisa de mais habitação, mas tem capacidade para a construir?

12 celebridades que têm uma sex tape

12 celebridades que têm uma sex tape

Deus, intuição e Rock and Roll

Deus, intuição e Rock and Roll

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1745

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1745

Rir com os maneirismos dos

Rir com os maneirismos dos "betos"

25 peças para receber a primavera em casa

25 peças para receber a primavera em casa

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Vencedores e vencidos do 25 de Abril na VISÃO História

Vencedores e vencidos do 25 de Abril na VISÃO História

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

As imagens das cenas de sexo lésbico de Margarida Corceiro na TVI

As imagens das cenas de sexo lésbico de Margarida Corceiro na TVI

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

A comida que nos assusta não é a que nos adoece. Os erros escondidos na cozinha

A comida que nos assusta não é a que nos adoece. Os erros escondidos na cozinha

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1743

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1743

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

Pavilhão Julião Sarmento - Quando a arte se confunde com a vida

Pavilhão Julião Sarmento - Quando a arte se confunde com a vida

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

Bárbara Branco e José Condessa em cenas eróticas em

Bárbara Branco e José Condessa em cenas eróticas em "O Crime do Padre Amaro"

Fadistas em biquíni e a banhos. Veja as fotos!

Fadistas em biquíni e a banhos. Veja as fotos!

Keep the coins, I want change: um mapa para a sustentabilidade empresarial em 2025

Keep the coins, I want change: um mapa para a sustentabilidade empresarial em 2025

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como "superalimento"

As 10 zonas erógenas masculinas

As 10 zonas erógenas masculinas

Carregamentos na rede Mobi.E passam pela primeira vez os 700 mil num mês

Carregamentos na rede Mobi.E passam pela primeira vez os 700 mil num mês

O futuro da energia é agora

O futuro da energia é agora

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

O

O "look" de Letizia no reencontro com a filha em Marín

A Sagração da Primavera - Quando a morte é também fonte de vida

A Sagração da Primavera - Quando a morte é também fonte de vida

Maria João Ruela reúne família na apresentação do seu primeiro livro

Maria João Ruela reúne família na apresentação do seu primeiro livro

Microsoft revela poupanças de 500 milhões com Inteligência Artificial, depois de despedir nove mil

Microsoft revela poupanças de 500 milhões com Inteligência Artificial, depois de despedir nove mil

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos

Descubra Paris pelos olhos de Mathilde Favier, diretora mundial de celebridades da Dior

Descubra Paris pelos olhos de Mathilde Favier, diretora mundial de celebridades da Dior

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

Repórter Júnior: Entrevista a Luísa Ducla Soares

Repórter Júnior: Entrevista a Luísa Ducla Soares

Só ver uma pessoa doente já faz disparar o sistema imunitário

Só ver uma pessoa doente já faz disparar o sistema imunitário

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem "acordar" células cancerígenas adormecidas nos pulmões

Do Liberation Day ao Acordo de Genebra – O que se segue?

Do Liberation Day ao Acordo de Genebra – O que se segue?

Quis Saber Quem Sou: Será que

Quis Saber Quem Sou: Será que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais?"

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

Moda:

Moda: "Look" festivaleiro

Escapada de Alijó à foz do Tua: O Douro para lá do rio

Escapada de Alijó à foz do Tua: O Douro para lá do rio