“Houve amores que não conheci…”. É desta forma que Andreia Rodrigues começa por contar através de um texto intimista publicado no seu blogue que sofreu dois abortos espontâneos antes do nascimento de Alice. A mulher de Daniel Oliveira escreveu sobre este assunto, como forma de, através da sua história, dar apoio a outras mulheres que já passaram ou passam por situações semelhantes. “Não faço esta partilha como alguém que tem uma profissão pública, mas como mãe, mulher, que sofreu duas situações de aborto e que sentiu receio que os olhares dos outros devolvessem piedade ou comiseração. Acreditei que, ao saber-se, me acusariam de ser frágil e incapaz (que tolice a minha!), como se isso pudesse amputar a minha feminilidade. Falei com algumas amigas e é por saber o quão importante foi para mim que partilhássemos experiências que partilho agora a minha história”.
Andreia admite que deseja muito ser mãe, e que sentia alguma pressão pública para que tal acontecesse. “Estava consciente de que dificilmente seria imediato – há sempre casos de quem engravida à primeira, mas eu tinha decidido pôr as minhas expectativas num nível moderado. Cada mês que passava sem que eu tivesse engravidado fazia ressurgir alguma tristeza, mas sempre procurei aceitar esse sentimento com tranquilidade. Enquanto isto, as pessoas iam perguntando sobre a maternidade, insistindo que já estava na altura”, avança.
Andreia conta que foi com grande alegria que recebeu um teste de gravidez positivo. “Fiz uma surpresa ao Daniel para lhe revelar a boa nova, escondi o telemóvel e filmei-nos abraçados e felizes. Nos dias seguintes, tirámos a primeira foto das muitas que iríamos tirar, que nos dessem o “filme” de todo o processo de gravidez. Foi a única que tirámos. Foram dias, semanas difíceis de gerir, de aceitar”, escreve, falando sobre o primeiro aborto que sofreu. Seguiu-se o segundo: “Um ano depois, a mesma alegria. Ou talvez mais. Agora seria real, a dor da perda estava vencida. Ouvir o coração do nosso bebé foi maravilhoso. Íamos ser pais. Partilhámos com família e amigos a nossa felicidade. Assim foi durante algumas semanas, até à véspera do meu aniversário. Foi aí que soube, pela segunda vez, que o meu bebé já não tinha vida. Era precoce – não tinha 3 meses – disseram-me que ainda não era um bebé, não o devia ver como tal… mas era, eu já o tinha sonhado, eu já nos tinha sonhado: a nossa vida”.
Andreia descreve a dor que sentiu nessa altura crítica: “Tal como da primeira vez, ainda deitada na marquesa, tentei manter-me firme, não chorei quando em vez de ouvir o bater do coração, ouvi que o coração já não batia: “não há batimentos” – eu tinha pressentido que algo não estava bem, eu sabia que algo se passava com o meu bebé. Eu já era mãe e deixei de o ser. Na sala, tal como da primeira vez, o silêncio cortava e o nó na garganta não me deixava dizer muita coisa, nem era capaz de chorar… a vida mais uma vez puxou-me o tapete, mas eu não podia cair”, confessa, adiantando que o marido, Daniel Oliveira, foi sempre o seu grande apoio: “Amparou-me, deu-me colo”.
Este segundo aborto aconteceu perto de uma data que era especial para a apresentadora, e que não foi festejada como normalmente era: “Dia 11 de Abril de 2017 – dia do meu aniversário – a confirmação. Não cantei os parabéns – não nesse dia – não tinha forças para o fazer. Sentia-me perdida, vazia, e por mais que me tentassem animar…eu só queria dormir e acordar daquele pesadelo”. Estas duas perdas causaram grande sofrimento: “Há um luto: o luto do que foi imaginado, sonhado, um luto do que sentimos, do que vimos acontecer no futuro que sonhámos, do coração que ouvimos bater pela primeira vez…um luto que não se veste de preto mas nos invade e nos deixa às escuras, mesmo que por instantes. E depois? Resta-nos seguir em frente e deixar que o tempo se encarregue de nos dar mais uma oportunidade. Confiar”.
Andreia admite que chegou a pensar num “plano sem filhos biológicos”, mas, felizmente, o sonho foi concretizado. “O dia chegou, Outubro de 2017, um novo teste positivo. Estava feliz, mas cautelosa, o medo estava presente mas não queria ser tomada por ele. Estava grávida. Mas quando os outros ficavam eufóricos com a notícia, nós vivemos até ao último dia com um alegria contida. Sem muitas fotos, sem muitas partilhas. Em Maio de 2018, tinha finalmente a minha filha no peito. Ela chorou. E eu senti que era real: “sou mãe”. E chorei. “Tens-me aqui filha, sou tua, para sempre.” Hoje quando os nossos olhos se encontram e ela me sorri, percebo que tinha de viver o que vivi para a Alice fazer parte das nossas vidas. Tinha de ser ela. Estávamos guardadas uma para a outra. Ela nasceu e eu nasci também! Nascemos para uma nova vida…”, remata.