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1. Sou o primeiro a defender que cheguem ao conhecimento de todos nós os pequenos ou grandes abusos que, volta e meia, um cidadão sofre nos serviços, público ou não. Acho que uma moralização da sociedade só se consegue se quem prevarica, erra, ou simplesmente trabalha mal vir difundida a sua má-criação ou incompetência. Posto isto, já me parece excessiva a polémica que se quis criar por causa do que terá acontecido num centro de emprego de Montemor-o-Novo, se não estou em erro. Aparentemente, a alguns jovens que ali se deslocaram para saberem de uma oportunidade de emprego, ou para se inscreverem à espera de uma oportunidade, terá sido dito que fariam melhor em emigrar. Só vim a saber do caso pelas reacções exaltadas, nomeadamente, do PCP, que parece que exigia saber se o Governo andava a dar ordens para que este fosse o discurso nos centros de emprego pelo País fora. A ofensa dos comunistas, caso se confirmasse tão bizarra recomendação, faria algum sentido. Mas, do pouco que sei do assunto, parece-me relativamente óbvio que se terá passado um episódio informal (ou dois ou três, vai dar ao mesmo), logo aumentado à lupa para se encaixar numa lógica simples e repetitiva de certa oposição: tudo o que um governo faz, faz mal, e ainda por cima faz muita coisa escondida que é preciso descobrir e denunciar. Ora, não querendo eu tomar partido como se fosse testemunha ocular, que obviamente não fui, algo me diz que a coisa se terá passado ao nível de um comentário, ou dois, ou três de um funcionário a um desempregado. Atrevo-me a adivinhar qualquer coisa do género: “Ó rapaz, eu fico aqui com os seus dados e vamos lá a ver se aparece alguma coisa, mas eu no seu lugar tratava mas é de tentar encontrar qualquer coisa lá fora no estrangeiro, que isto aqui da maneira que as coisas andam vai ser muito, muito complicado”, etc… A grande questão é perceber e definir se o funcionário terá dito alguma mentira. Parece-me claramente que não. Como me quer parecer que em nenhum momento terá dito o que disse de forma “oficial”, dando a entender que tem ordens para agir assim. Terá sido, estou certo, uma espécie de desabafo que (que eu tenha conhecimento) ainda não é ilegal, quanto mais não seja para que funcionário e cliente possam ter conversas como dois seres humanos normais, que não se regem por regras robóticas de esclarecimento. Pelo amor de Deus. Com tanta matéria potencialmente polémica, encontrem outras, realmente importantes e escandalosas. E no que ao PCP diz respeito, estava na hora de não se agarrarem a qualquer coisinha lateral para o desporto favorito de dizer mal do Governo, que sempre fizeram e sempre farão, independentemente da cor que tenha: basta não ter a sua.

2. E a propósito, debrucemo-nos sobre o que pode e deve ser uma polémica realmente importante, mas que corre o risco de ficar esquecida perante tantas pequenas quezílias sem sentido. Alberto João Jardim continua a surpreender os que pensavam que ele já não poderia ir mais longe. Apertado pelo Governo, criticado pela oposição, vigiado pela troika, tudo devido aos seus gastos faraónicos que levam a que uma ilha consiga desequilibrar as contas de toda uma República, ainda assim consegue sorrir, assobiar para o lado e, aparentemente, permanecer surdo a todas as recriminações. Basta ver o que se prepara para fazer com as iluminações de Natal da ilha (essa enorme prioridade em tempos crise…). Manda às urtigas um concurso público e entrega de mão beijada o negócio de 3 milhões a um ex-deputado do PSD. De uma assentada, várias coisas lamentáveis. A iluminação de Natal, à semelhança do que acontecerá em quase todas as cidades cosmopolitas do mundo, será dos primeiros luxos a levar um corte, o que se entende e aceita, quanto mais não seja porque se inscreve na lógica de ser melhor cortar no acessório do que no essencial. Depois, o negócio engorda de forma abusiva e indefensável os cofres de uma empresa da sua família política (e não sabemos que outras relações haverá…). A finalizar, mas não o menos importante. Por mais puxões de orelhas que leve, Jardim continua a desembolsar 3 milhões, mais outros tantos acolá, com o que lhe dá na real gana. Mas se nunca ninguém o travou, porque havemos de pensar que alguma vez o travarão?

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