
1. No Verão, já o tenho dito, aproveito para colocar a leitura em dia. Este romance que comprei mas ainda não abri, aquela biografia que encomendei mas que ainda não tive oportunidade de começar. Mas só mesmo no sossego do lar ou no fresco de um alpendre. Na praia, a que só resisto umas duas horas, não resisto a folhear revistas. É o máximo de atenção que consigo na confusão de areia, sol e vento. E normalmente fico-me pelos títulos apelativos, as fotos coloridas e respectivas legendas. Leio depressa, e na diagonal. Mas houve um dia ou outro em que a animação com os amigos e filhos obrigava a permanecer mais tempo no areal. O que me deu oportunidade para ler textos do princípio ao fim. O que me deu oportunidade de descobrir algumas “pérolas”. Por exemplo, fico a saber que há uma guerrilha de birras e feitios entre duas estrelas da TVI. Coisa de egos, busca de protagonismo, qual de nós é mais bela e a mais requisitada, o costume. Mas eis que sou informado que a TVI está zangada com Rita Pereira. Parece que a estrela foi para o Facebook queixar-se dos horários da novela, que as filmagens nunca começam a horas, que assim não dá, não há paciência, etc. Percebo a irritação da estação e da produtora: roupa suja lava-se dentro de portas, e Rita foi deselegante, não se mostra ao mundo que se cospe à primeira no prato que nos dá de comer. Adiante. Este deslize tornou-se uma novela dentro das revistas de novelas, com desenvolvimentos, comentários e, naturalmente, com as revistas a pedirem a colegas de Rita para darem a sua opinião sobre o sucedido. É neste contexto que interrogam Jessica Athayde. E o resultado é “maravilhoso”. Jessica começa por dizer que entende a posição da TVI, que a colega se deveria ter coibido de fazer comentários sobre bastidores, que ninguém tem de saber o que se passa lá dentro… E eis o momento em que mostra que não sabe quando não deve acrescentar mais nada. Porque Jessica acha mal que Rita tenha dito aquilo porque (e passo a citar) “já basta o ambiente que lá se vive, que por vezes é de cortar à faca”. Espantoso raciocínio, inesperada decisão. Como o artigo acaba logo ali, fico sem saber se a jovem Jessica se terá apercebido que em vez de refutar o que disse Rita, foi ainda mais longe, e deu-nos ainda outros problemas que deveriam, mais do que os horários atrasados, ficar dentro de portas. Enfim… É-me difícil entender este nível de… ingenuidade, chamemos-lhe assim.
2. Outra revista. Agora revela-se o final de uma novela (o que nunca compreendi, não será estragar um pouco o produto?, mas sou certamente eu que não entendo as regras do jogo). A revista informa-nos de que a produção da novela já decidiu o desfecho dos protagonistas. E aqui entra uma “fonte da produção”, não identificada, mas que nos informa, primeiro, que os destinos finais foram escolhidos de forma a “aproximarem-se muito do que aconteceria na vida real”, não sem acrescentar, em jeito de explicação do que é a vida real, que “o final é realista, porque, apesar de muitos dos bons ficarem com quem amam, os maus também não são punidos”. Desculpe? Pode repetir? Temos, por um lado, escritores de novelas que sabem exactamente o que se passa ou passaria na vida real, o que me dava um jeitão, por exemplo, se me revelassem a chave do Euromilhões. Por outro lado, reparamos que o final realista é que os bons ficam com os que amam (como sabemos, acontece sempre), mas que os maus não são punidos (aqui talvez tenham alguma razão…). Em suma, um final realista é que ficam todos na maior. Eis a vida real, segundo quem nos escreve novelas.